Primeira Comunhão

Todos os finais de semana acompanhava meus irmãos mais velhos à catequese na Igreja Nossa Senhora de Fátima, na Penha. Eu não tinha cinco anos de idade, mas absorvia tudo o que era ensinado às crianças. Não tinha idade para contestar e nem discernimento…

Foram muitos finais de semana até chegar o dia do exame final para a primeira comunhão. Todas as crianças foram sabatinadas e como achei que haviam se esquecido de mim, avisei as catequistas. Aí ocorreu uma das maiores decepções da minha vida ainda tão curtinha: eu não poderia receber a eucaristia pois era muito novinha; tinha cinco anos e meio e a idade mínima exigida era sete anos! Fiquei inconformada: chorei, implorei, gritei, mas nada adiantou…

Não me dei por vencida. Chegando em casa, aos prantos, expliquei para a mamãe o que tinha acontecido e disse que não era justo, pois eu não faltei um dia sequer, sabia tudo o que tinham ensinado e em nenhum momento me disseram que eu não poderia participar como as outras crianças. Disse que poderiam me perguntar qualquer coisa que havia sido ensinada que veriam que eu saberia, portanto, estaria pronta como os outros.

Acho que infernizei tanto a minha mãe que ela foi conversar com o Padre Henrique, que, sem que eu ouvisse disse-lhe que iriam me perguntar e provavelmente por eu ser muito novinha não saberia responder e então tudo estaria resolvido. Mas, infelizmente para eles eu levei o caso muito a sério e, tendo acertado tudo tiveram que permitir que eu fizesse a minha primeira comunhão.

A minha família era muito católica, portanto, para mim, era muito natural fazer esse, digamos, "rito de passagem".

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