Grandes Carnavais

Como está chegando o carnaval, quero relembrar os carnavais da minha juventude. Eu que nasci e sempre morei na Zona Norte (hoje moro na cidade de Taubaté) sinto uma imensa saudade daqueles tempos.

Logo após as festas de final de ano começávamos a ouvir pelas ruas carros emitindo um assobio estridente, devido aos vidrinhos que eram colocados nos escapamentos. Nas rádios ouvíamos os sambas e as marchinhas que iriam ser cantadas nos salões. A Revista do Rádio e a Revista Melodias traziam as letras para que todos pudessem aprender e cantá-las nos grandes bailes.

Começavam aparecer por toda São Paulo barraquinhas onde eram vendidos confete, serpentinas, máscaras, lança-perfumes da marcas Rodouro e Arlequim, que eram usadas apenas para serem espirradas nas meninas e fazer com que no ar ficasse um perfume inesquecível. Os cinemas eram transformados, com a remoção das suas poltronas, em grandes salões para a folia momesca. Em todos os clubes da cidade também eram realizados bailes, que eram anunciados como alucinantes e retumbantes. A nossa turma participava das três matinês e das quatro noites, íamos aos bailes do Tietê, Acre Clube, Esperia, Portuguesa, CMTC Clube e outros.

O carnaval de rua não era muito forte, com exceção da Vila Esperança e algumas poucas agremiações que desfilavam no Anhangabaú. A TV Record promovia uma maratona chamada de "Resistência Carnavalesca", que era nada mais nada menos do que um reality show grotesco, onde pessoas motivadas por uma premiação em dinheiro tinham que dançar durante os quatro dias de carnaval. No final restavam alguns poucos participantes, se arrastando pelo palanque, quase que moribundos. Tinha gente que passava o dia inteiro assistindo àqueles infelizes. Fora isto o carnaval era só alegria e festa.

Nas ruas as crianças e alguns marmanjos se divertiam atirando água ou "sangue do diabo" com aquelas bisnagas que eram vendidas por toda parte. A maioria das pessoas se fantasiava e sem violência se divertiam para valer. Na quarta-feira de cinzas uma multidão se aglomerava no portão do Presídio na Avenida Tiradentes para ver a soltura dos detidos durante o carnaval, muitos deles ainda fantasiados. Mas enfim, era uma festa alegre e divertida com muito respeito e sem agressões.

Tenho muitas saudades deste tempo e como diz o velho samba de carnaval: "Recordar é viver eu ontem sonhei com você…"

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