À saída do Poupa-Tempo, vislumbro a "Escola Fazendária", na esquina da Rua das Flores com Rua do Carmo. Ocupando um prédio que foi uma escola, depois, outra e depois outra. Pouca gente olha para ela e quase ninguém sabe a sua história.
Em 1890 foi a "Escola Modelo do Carmo".
Foi conhecida durante muito tempo pela denominação de Escola Modelo do Carmo, ou Escola do Carmo, por haver funcionado, em seu início, nos fundos da igreja da Ordem Terceira do Carmo, local que mais tarde foi ocupado pelo Ginásio dos Reverendos Irmãos Maristas.
Foi nesse grupo escolar que Caetano de Campos introduziu as então modernas técnicas pedagógicas, organizando a primeira escola-modelo. Inicialmente, a escola destinada à prática dos professorandos funcionou sob a direção direta do próprio Caetano de Campos.
Essa escola foi fundada em 7 de julho de 1890, e em 1º de setembro do mesmo ano iniciou suas atividades, tendo a professora Miss Márcia Browne como auxiliar da direção.
No começo, funcionaram apenas as classes dos dois primeiros anos preliminares, com 50 alunos de cada sexo, solicitados a seus pais pelo próprio Caetano de Campos. Em fevereiro de 1893, a escola passou a ser dirigida por Miss Browne, até julho do mesmo ano, quando assume a diretoria o professor Oscar Thompson.
Em 2 de agosto de 1894, foi inaugurada a Escola Normal da Praça da República, onde também foi instalada uma escola-modelo. De seu corpo docente fizeram parte diversos professores da Escola do Carmo, que, nessa ocasião, passa a se chamar Segunda Escola-Modelo, anexa à Escola Normal da Praça da República, com o professor Oscar Thompson como diretor efetivo.
Os professores removidos para a Escola Normal da Praça da República foram substituídos por normalistas. Em fevereiro de 1895 foram criadas classes de 5º ano, e em fevereiro de 1898 o professor Alfredo Bresser da Silveira assumiu a direção.
A escola passou a se chamar oficialmente "Grupo Escolar do Carmo" em 1º de outubro de 1894, quando era Secretário do Interior o Dr.José Cardoso de Almeida. O prédio em que funcionava, na rua do Carmo, nº 18, esquina com a rua Santa Thereza, havia sido residência do Marquês de Três Rios, e pertencia, no começo do século XX, ao Conde de Prates, que o arrendava ao governo.
Atualmente, o prédio é ocupado pela Escola Fazendária do Estado de São Paulo – FAZESP – que faz o treinamento dos funcionários da Secretaria da Fazenda ali vizinha, no comecinho da Av. Rangel Pestana. Dá cursos de capacitação e aperfeiçoamento atendendo à demanda dos funcionários.
O edifício está entre os melhores exemplares da arquitetura escolar do fim do século XIX, pois além de ser um projeto específico para o terreno em que está localizado é também um dos poucos que se inscreve no estilo "art- nouveau"
Hoje o prédio está totalmente restaurado, com corredores largos, salas imensas com pé direito duplo, cubagem de ar mais do que suficiente e portas altas, com bandeiras agora de vidros lisos. Portas entalhadas, perfeitas. É um prédio de dois andares mais o térreo e um sub solo que abre janelas fechada no nível da rua. O acesso aos andares se faz por escadas magníficas, amplas, brancas, com corrimão artístico. Tem entrada principal pela rua do Carmo e se situa na esquina da Rua do Carmo com rua das Flores. Mas, mantém ainda o aspecto de escola.
Novas pesquisas me levaram à arquiteta responsável pela restauração atual do prédio, Silvana Maria Aurichio, que me diz que o projeto original é de autoria de Carlos Rosencrantz, alemão naturalizado brasileiro. (também responsável pela Escola Normal de São Carlos)
Vale à pena ser visitado.