Edifício Sampaio Moreira – O Avô dos arranha-céus de São Paulo

Em 1924 foi erguido o primeiro arranha-céu de São Paulo, o prédio Sampaio Moreira, na rua Líbero Badaró 346. Conhecido como o avô dos arranha-céus de São Paulo, tem 12 (ou 13? Ou 14?) andares e o projeto foi de Samuel das Neves e Cristiano Stockler das Neves. Foi superado apenas cinco anos mais tarde em 1929 pelo gigante Martinelli, de 30 andares, "o pai dos arranha-céus" É um testemunho das mudanças dos modelos culturais europeus para os modelos norte americanos. O edifício possui elementos decorativos típicos do estilo Luis XVI, recriado segundo o gosto da época.

Para que fosse liberado pelas autoridades públicas, foi necessário fazer uma alteração no código de Obras de 1923, possível graças ao prestígio de um dos mais importantes arquitetos da época – Cristiano Stokler das Neves

No térreo está a casa Godinho, que até 1922 esteve na Praça da Sé. A casa Godinho até hoje conserva prateleiras de embuia de 4 metros de altura e piso original. É famosa pelo seu bacalhau da Noruega e vende também vinhos, cachaças (mais de 80 marcas) etc….

Construído pelo português José de Sampaio Moreira, o prédio é preservado com conservação de fachada e áreas comuns e está em processo de tombamento pelo COMPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo)

Passou por reforma estrutural em 1990, mas a entrada, com um enorme painel de localização em madeira maciça e letras douradas, as escadarias de mármore de Carrara e alguns detalhes como as esquadrias das janelas, de pinho-de-riga, foram preservados. Os cristais do lustre foram substituídos por vidro depois de uma queda que o deixou em estilhaços.
O piso da entrada é original, com quadrados de mármore preto e branco como num jogo de damas. Os elevadores suecos Brothers tiveram os motores revisados e ainda mantém o design: pórticos de mármore, paredes vermelhas, porta de ferro vazado, espelhos trabalhados, manivela (hoje aposentada) e adornos dourados.

É um exemplar de estilo eclético, típico dos edifícios do século passado.
Seu valor histórico está na arquitetura e no fato de ter sido o primeiro com esse número de pavimentos e altura.
O edifício alia a influencia norte americana – construção de grande altura – à influência francesa – traduzida no estilo Luiz XVI modernizado.
Como centro de interesse da fachada, o prédio possui colunas apoiadas em um profundo balcão, cuja parte central avança num corpo semicircular de grande efeito plástico. Ao alto, rematando a construção, uma elegante pérgula percorre a parte superior da falsa mansarda.