Todas as tardes, por volta das 17 horas, apareciam na Tv Bandeirante Batman e seu amigo Robin. Sentado à frente do aparelho, um garotinho loiro de olhos azuis acinzentados, mudo, assistia grudado à tela as aventuras mágicas do herói contra o Coringa, a Mulher-Gato, o Pinguim e um montão de bandidos.
Com pouco mais de 3 anos de idade, Christian desejava muito ser companheiro do Batman. Voar, saltar sobre os delinqüentes, pular do telhado de uma casa para dentro do Bat-móvel e sair na disparada para salvar a mocinha,era o que gostaria de fazer. Chris ficava ligado sem piscar. Hipnotizado pela ação do homem-morcego, cada vez mais aumentava sua paixão por suas proezas.
Um dia na casa da avó, viu no jornal anúncio de uma grande loja promovendo as roupas do Batman . Camisa de manga comprida preta, com um morcego amarelo estampado no peito. Short também preto com aquele cinto cheio de badulaques. A capa voadora preta. Botas de plástico e aquela marcante máscara de guerreiro da justiça. Longe de saber ler, bastou ver o logotipo famoso. Quis aquele uniforme completo.
Pediu para a mãe. Insistiu com o pai, exigiu da avó. No dia seguinte estava fantasiado de batman, pulando sobre os sofás-edifícios e poltronas-pontes. Subia na mesa da sala de jantar e saltava segurando as pontas da capa voadora sobre as almofadas espalhadas pelo chão.
Rolava pelo tapete agarrado a um brinquedo de pelúcia como se fosse o Coringa imaginário. De vez em quando dava uns safanões na irmãzinha Gabi, que começava a andar chamando-a de Pinguim Não tirava a roupa nem para dormir. Dormia vestido de preto e sonhava com suas façanhas morcegosas.
Certa manhã, mãe foi às compras, acompanhada da avó em supermercado próximo. Chris-Batman fez questão de ir junto. No carro se exibia na janela traseira aos olhos de todos que passavam na rua. Principalmente às crianças da mesma idade que morriam de inveja ao verem aquela figura de indirá-mirim. No supermercado entrou fazendo sucesso.Mostrou o muque para o segurança. Subiu no carrinho-cesta, sentou-se dentro e ficava feliz quando outra criança o admirava com curiosidade. Quando o carrinho começou encher de compras ,desceu e passou andar de mão dada com a avó.
Subitamente largou a mão dela e passou andar sozinho entre as gôndolas e balcões. Chamava à atenção de todos. De repente desapareceu.
Sumiu no meio de toda aquela gente. Mãe e avó procuravam o garoto por todos os lados, todos os corredores. A inquietação aumentava cada vez mais, quando o serviço de som anunciou: "Alô,alô,alô. Está aqui na gerência um garoto vestido de Batman. Solicitamos a presença de seus responsáveis".
A avó e mãe preocupadas imediatamente se dirigiram a gerência do supermercado e lá sentado em uma cadeira estava o menino.
Aguardava tranqüilo. O gerente acompanhado de duas funcionárias falavam com ele tentando saber o nome de criança perdida para para anunciar pelos alto-falantes da casa.
– Garoto como é o seu nome? perguntava o gerente.
-Batman, respondia o batmaniaco molequinho.
-Por favor menino, como é que você se chama ?
-Batman, era a resposta.
O gerente, acostumado com crianças perdidas, impaciente perguntou :
-Como chama a sua mãe?
– Mulher-Gato, respondeu e apontando para a avó que sorria aliviada:
-E aquela ali, é o meu amigo Robin…