Na Vila Maria, uma Carminha em minha vida

Eles eram meninos – ardiam na adolescência. Sentados em um muro viam a vida passar. Em algum lugar coisas estranhas aconteciam, mas não ali.

E aí, um deles que era mais espertinho, às vezes "colocava a cabeça pra fora", viu algo que não devia espalhar e contou. Houve um remover de águas paradas porque repentinamente todos passaram a perceber que podiam mais – e a paz teve fim.

Jovem, muito jovem, eu era o que na época se considerava "um bom partido".

Filho de sitiantes que aos poucos se transformaram em comerciantes, já aos 18 anos ingressara no funcionalismo público e tinha meu carro comprado com meu próprio dinheiro.

Namorava e, mais que isso, amava uma garota chamada Lídia, na Vila Maria, onde vivia e convivia, era assíduo frequentador do Clube Aliados e do Clube Vila Maria. Em um réveillon conheci minha "Carminha", mais velha, mais experiente. Nunca mais me deu sossego!

Eu, bobo, caia sempre – até que um dia "craw"! Nasceu nossa primeira filha (ela passou a me infernizar dizendo que "se eu não casasse" ainda que contra a vontade de minha família, ela se desfaria da menina). Contra tudo e contra todos (inclusive contra eu mesmo) casei!

Nasceu nossa segunda filha embora jamais tenhamos vivido juntos na mesma casa. Não era um casamento, era uma loucura! Um dia ela sumiu e me deixou com duas meninas para criar. Criei, com todo amor e carinho criei. Felizmente, nunca mais a vi.

Um dia, passados cerca de 20 anos, um rapaz me procurou dizendo que era meu filho e mostrou documentos com meu nome (eu nunca soube disso, aliás, já havia feito o divórcio à revelia porque ela nunca foi encontrada e eu estava casado – extremamente bem casado – novamente). Claro que esse rapaz não era nada meu, mas eu jamais pude provar isso, porque ele estava envolvido com drogas, cometeu um crime (fiquei sabendo por alto), foi preso e, até onde eu sei, morreu na cadeia. Que Deus o tenha, mas eu não poderia fazer nada.

Quis contar essa história, hoje que já não dói tanto (acho que nem doeu muito, porque Deus me deu mais do que eu podia almejar na minha vida) para auxiliar outros jovens (e muitos jovens leem este site) a pensar melhor diante de certas vicissitudes da vida. Claro que a ideia de contar coisas tão íntimas me veio a partir da novela "Avenida Brasil", onde a Carminha inferniza o Tufão. Elas existem sim rapazes, e estão por aí. Cuidado!

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