Fantástico, extraordinário, não há adjetivo para qualificar o acontecido de dias atrás no Estádio Municipal do Pacaembu, aliás, no meu entendimento, o mais romântico dos palcos esportivos. Sou saudosista sim, porque ali, na década dos anos 50, tive a oportunidade, ainda guri, acompanhado de meu padrasto de nome José, fanático palestrino que me influenciou a ser palmeirense, de entrar neste monumento de tantas jornadas, só que nesse dia, debaixo de um temporal, presenciei o meu Palmeiras sucumbir ante a garra corintiana pelo placar de 2×1.
Chorei sim, confesso, essas lágrimas guardadas as devidas proporções se igualariam a torrencial chuva que cairia impiedosamente e para continuar o meu martírio aconteceria novamente, para a minha infantil decepção, em um janeiro de 55. O Corinthians sagrar-se-ia Campeão dos Centenários; eu, 12 anos incompletos, acotovelado no interior do bar do Justo, famoso bairro da época, aliás, como penetra, pois era necessária uma consumação para presenciar a partida através de uma TV em branco e preto, era a única neste bairro de Santana; sorte a minha que um corintiano bondoso me pagaria um guaraná e eu pude assistir mesmo contrariado com a festa alvinegra.
Andando no tempo, onde ocorreram vitórias e derrotas entre estas equipes, chego aos dias atuais, 2012. Memorável noite, espetáculo global, liderança de Ibope onde o Corinthians conseguiria a classificação para a decisão da Libertadores, diga-se de passagem, não com o meu Palmeiras, ufa… graças a Deus, e sim com a equipe do Santos, do endiabrado Neymar.
O público então presente, constituído na maioria por corintianos, vibraria misturando lágrimas com alegrias colorindo a chuva persistente que, vaidosa, cobria o pranto de felicidade corintiana; as luzes refletiriam no ambiente festivo, os rojões pipocaram nos quatro cantos do país, principalmente na capital paulista, saudando a magia negra vitoriosa que, com o apito final, explodiria de contentamento.
A Libertadores, objeto de desejo de anos, em duas oportunidades, por ironia, desfeitas pelo “verdão”, está aí para ser conquistada; dá-se a impressão de que será contra o Boca Juniors, na temível La Bombonera, mas tenho a impressão que com a garra, a vontade na ponta da chuteira, este obstáculo será vencido. Essa noite televisiva, em uma quarta-feira chuvosa, mexeu com todo mundo, causou uma emoção até em mim. Repito, e eu não sou corintiano…
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