A primeira boneca a gente nunca esquece

Lembro da minha primeira boneca de pano, feita a mão pela minha tia. Tudo muito rudimentar. Ela usava os retalhos de tecidos, enchimento de algodão, cabelos com tiras de lã, olhos, nariz e boca de botões e colchetes. Nada de medidas certas, um braço maior que o outro e uma perna maior que a outra, mas o carinho que tinha por ela era imenso.

Uma companheira para todas as horas, inclusive na hora de dormir. Leve e bem molinha, podia levá-la para todos os cantos e, se por ventura, caísse ao chão, sempre voltava para meus braços inteira.

A única coisa que eu tinha que inventar era o banho, pois molhá-la iria custar-me vê-la pendurada no varal à espera de alguns dias de sol. Pegava então uma caixa de papelão, no lugar da bacia, e jornal picado, para simbolizar a água. E nada de sabonete. Ficava ali, com minhas mãos pequeninas jogando papel sobre ela como se fosse água, até achar que já estava bem limpinha. Aí era só "enxugar" com mais um resto de retalho e pronto, podíamos passear pelo quintal lá de casa.

Com o passar do tempo, meu pai, já em situação melhor de vida, não hesitou em me presentear com uma boneca que tinha um rosto de porcelana, cabelos enrolados e um lindo chapéu, acompanhada de um carrinho de boneca de vime.
Era natal e, quando acordei, vi aos pés da cama a boneca sentada no carrinho de vime, olhando para mim, que alegria! Depois, vieram outras mais modernas e mais sofisticadas, mas de todas que tive, as que mais me trazem lembranças, foram a de pano e a de rosto de porcelana.

Hoje, existem bonecas tão perfeitas, que parecem verdadeiras e dá até para se confundir com um bebê verdadeiro, uma verdadeira obra de arte.

Lugar para se comprar é que não falta aqui em São Paulo, hoje em dia, bem diferente de antigamente onde era preciso ir ao centro para fazer as compras de natal. Hoje temos os shoppings, muitas lojas de rua e até nas feiras encontramos uma variedade de bonecas; tem para todos os gostos e bolsos também.

Bem, e minha boneca de pano, onde foi parar? Cresci e meus interesses mudaram e acabei deixando a pequena boneca para trás em um canto qualquer, mas a sua lembrança ficou no coração, meu grande baú de recordações.