Impossível deixar de lembrar e registrar neste Carnaval um pouco da história da Vai-vai, nascida e inserida à cultura de São Paulo e ao bairro da Bela Vista, conhecido popularmente como Bexiga ou Bixiga.
Todos os anos, mesmo residindo já em Angra dos Reis, assistia com minha mãe ao seu desfile transmitido pela televisão. E quando a escola ganhava, minha mãe vibrava, cantava e comemorava, afinal, viu a escola nascer e florescer no bairro em que nasceu.
Quando criança, com nove anos, residindo por um tempo em São Paulo, na Rua Almirante Marques de Leão, pude apreciar os preparativos de seus integrantes para o desfile, assistir aos ensaios no bairro e também presenciar ao próprio desfile em dia de carnaval.
Perto de minha casa havia uma pequena vila de casas onde moravam alguns integrantes e suas famílias. Era comum ver sentadas na entrada da moradia senhoras e moças, bordando fantasias e sapatilhas com grande capricho e dedicação, assim como roupas de porta-bandeiras e a própria bandeira que carregavam.
Era emocionante vê-los saindo com seus trajes brilhantes, cabeleiras estilizadas da época oitocentista e muita elegância. Lembro-me muito bem que as cabeleiras eram bem penteadas com coques, tranças e cachos para as mulheres. As dos homens lembravam os cabelos de nobres, muito bem arrumados, cacheados e na altura dos ombros.
Naquela época, meados dos anos sessenta, prevalecia a moda imperial, nos trajes e enredos. A bateria era sucesso o ano inteiro e especialmente no carnaval, por ser ritmada e de toque especial.
Meu primo Pedro gostava de ir aos ensaios e sambar com o cordão, que depois virou escola, assim como minha prima Clementina, que já com o desfile na Paulista, ia bem cedo para conseguir lugar nas arquibancadas.
O curioso é que mesmo sem quadra faziam os ensaios com muita animação, alegria e organização. A s crianças também participavam com muita garra e encanto nas apresentações.
Minha mãe contou-me que a escola nasceu em 1930, três anos antes de ela vir ao mundo, no Saracura, mas que era, na época, apenas um grande bloco, que virou cordão. Disse-me que só se tornou uma escola nos anos setenta.
E aqui termino meu pequeno registro sobre a Vai-vai, permeado de lembranças e relatos de minha mãe e do que vivenciei sobre a mesma em minha infância. Boa sorte, Vai-vai!
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