Como era bom esse período de carnaval antigamente. Dinheiro não havia, mas o que havia era muita animação por parte de todos, principalmente da criançada que vibrava com as seringas de plástico e seus diversos formatos: laranja, banana, maça, lança perfume, serpentinas e confetes coloridos. Era bom encher de água as seringas e fazer guerra d´água. Divertimentos completamente inofensivos.
Como não havia muitos carros nas ruas, nós ficamos esticando as serpentinas, um numa calçada e outro noutra, e quando passava um mísero carro, deixávamos que ele passasse na serpentina e era uma gargalhada só. Olha que ingenuidade! Quando se é criança a gente rí por pouco, não é mesmo?
Havia no Parque do Ibirapuera um concurso de resistência durante o Carnaval e nós torcíamos pelo "Siriri", engraxate do pedaço que também ficava na porta da Padaria SP, Rua Domingos de Morais, bem em frente ao Corpo de Bombeiros; torcíamos por ele e achávamo-lo uma celebridade por ficar dançando por horas, rodando lá no Ginásio, mas não lembro que prêmio ganhava nessa disputa tão cansativa.
As matinés e os bailes nos clubes do bairro eram a "sensação": os vizinhos se encontravam e dá-lhe papo, dança, confetes, fantasias ingênuas como pirata, bailarina, pierrot, colombina e tantas outras. Os bailes aconteciam no Clube Vila Mariana, Clube Monte Carlo e também no Clube Itamarati e todos os anos estávamos lá.
As marchinhas também eram os pontos altos dos bailes, e a orquestra, muitas vezes desafinada, dava o tom e nós acompanhávamos: “Me dá um dinheiro aí…”; “Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é?”; “Tanto riso, oh! Quanta alegria, mais de mil palhaços no salão…”. E por último: “Confete, pedacinho colorido de saudade, ai, ai, ai, ai…”.
Feliz Carnaval a todos!
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