Há nas grandes cidades um mundo oculto. Cenas que só se descortinam mediante extrema atenção. Um exemplo, na altura do número tal da Rua Pagano Sobrinho (Pagano, que foi um humorista paulistano muito inteligente, com tiradas curtas e sarcásticas como a famosa “essa é para pensar em casa”), em São Paulo, há uma pequena árvore que de tempos em tempos fica muito florida. Nada demais, se pensarmos que árvores floridas são comuns; tudo demais se olharmos isso, este florir, como uma coisa absolutamente mágica, mas tudo bem.
Não passo sempre ali, mas quando passo ela lá está resplandecente, o que dá o que pensar. Então, além das flores, recentemente notei um ninho – minúsculo – entre galhos e uma sabiá (póca, aquelas de rabo comprido) a vigiar. Em um rompante uma pequena aranha escala o tronco da minha (nesse instante em que a olho, minha) arvorezinha e a sabiá zás! Leva no bico a vaga aranha que seu filhote no ninho, biquinho aberto, faminto, espera.
Não, não sei se foi isso ou inferi que foi isso, pois tudo na natureza acontece de forma absolutamente rápida, mas essa preocupação obsessiva dos pássaros (dos animais) com seus filhotes é uma coisa. E aí vemos o que acontece por aí, as manchetes dos jornais, os dias que correm.