Isaias Branco de Araujo nasceu no bairro de Capela do Socorro, em 13 de janeiro de 1879, filho de Pedro Branco de Araujo e Rosa Branco de Moraes; nasceu em um velho casarão ao lado da capela de Santa Rita, na Rua Manoel Preto, hoje Av. Rio Bonito, construído pelos seus avôs, Francisco Branco de Araujo e Ana Rocumback, que haviam trazido a imagem da santa da Alemanha. A santa era idolatrada por toda a família e seu avô achou por bem que o povo merecia também essa proteção e mandou erguer a pequena capela para a santa.
Isaias Branco de Araujo casou em 27 de abril de 1901 com Rufina Branco de Araujo, com a qual teve três filhos, Eva, Gerino e Isaias Junior.
Como comerciante, teve um armazém de secos e molhados, uma loja de tecidos e depois montou uma fábrica de macarrão no bairro e anos depois montou três serrarias, uma em Santo Amaro, outra em Itapecerica da Serra, e uma terceira em M’ Boi Guassú.
Tinha como gosto a pescaria, tanto que chegava a comercializá-los, era um bom pescador e tinha a arte de fazer redes e covos de pescaria.
Em 1918, já como prefeito da cidade de Santo Amaro, enfrentou um flagelo de uma epidemia que assolou toda a cidade, que foi a gripe espanhola, que combateu com recursos próprios.
As suas realizações foram se expandindo ao longo de sua administração que até hoje ainda reflete no povo santamarense, como a estrada que liga o extremo sul de Parelheiros, Colônia e Marsilak, também é sua obra o portal e a capela do cemitério de Santo Amaro.
Modernizou o matadouro municipal em sede nova na Rua Borba Gato, coberto com telhas fabricadas pelo Sr. João Lang tudo em Santo Amaro.
Operoso e dedicado, ele sempre demonstrou o máximo interesse a sua cidade, por isso entrou na política pelo Partido Republicano Paulista (PRP), como vice-presidente, e Thiago Luz, como presidente, foi vereador de 1911 a 1917 com várias reeleições. Em 1917 foi eleito Prefeito de S. Amaro e permaneceu no executivo até 1928, e no biênio de 1929 a 1930 ocupou a cadeira de presidente da câmara, quando neste ano explodiu a revolução e com a vitória de Getúlio Vargas, foi extinto os governos municipais.
Isaias Branco de Araujo ingressou na Guarda Nacional onde recebeu o título de Tenente Coronel, devido a sua luta pela justiça.
Em 1924, com a revolução tenentista, S. Amaro transformou-se em asilo de muita gente da capital, o povo daqui começou a passar necessidade e ele com seu “fordinho” iam buscar alimentos no quartel general dos revolucionários, entre tiros conseguia realizar sua tarefa.
Quando a cidade foi tomada e ele foi ameaçado de morte refugiou-se com a família após o rio Pinheiros, para o sítio do Dr. Herculano de Freitas, que hoje leva seu nome no bairro, depois de um mês com a calmaria retornou a Santo Amaro e reassumiu seu cargo.
Isaias também desmembrou a Cadeia pública da câmara de vereadores, para mais próximo do Largo 13 de Maio, antigo Largo da Bola. Foi sócio fundador da Santa Casa de Santo Amaro sob número 69 em 1896, construiu o corpo da Igreja matriz, foi muito amigo do Padre José Maria que ergueu a igreja Matriz.
Em 1913, conseguiu a instalação de luz elétrica, inauguração dos bondes pertencentes à The São Paulo Light and Power.
Em 1919, instalou as primeiras linhas telefônicas. Abriu diversas estradas e avenidas para o extremo da região sul, inclusive a Av. Washington Luiz, chamada de autoestrada na época.
Em 1930, Isaias Branco de Araújo, foi escolhido como festeiro da festa do Divino Espírito Santo, pela sua espiritualidade, devoção e trabalho.
No final de sua gestão como prefeito teve a honra de presenciar e recepcionar a chegada na represa de Guarapiranga, em 1927, do aviador Francesco de Pinedo em um hidroavião, o primeiro a atravessar o Atlântico desde a Itália.
Também recepcionou o Conde Francisco Matarazzo que solicitou a ele a interferência junto à Light para agilizar a instalação de um monumento do aviador nas margens da represa.
Isaias Branco de Araujo faleceu em 2 de julho de 1967, aos 88 anos de idade, sendo sepultado no cemitério de Santo Amaro, sua terra natal. Tinha como lema: “Se fiz algo era a minha obrigação e para isso fui eleito”.
A única homenagem que se fez a ele foi a denominação de uma rua no bairro de Vila das Belezas que foi subdistrito de Santo Amaro, quando esse atual bairro foi município até 1935 e hoje é sub prefeitura e a Vila das Belezas é um bairro do distrito São Luiz.
Santo Amaro tem essa ingratidão com seus filhos, grandes vultos regionais que deram nomes as suas vias estão sendo trocados por nomes de generais e outras pessoas que nunca vieram a Santo Amaro e/ ou nunca sequer ouviram falar de nosso bairro.