Eu sou aquele pé de Sibipiruna plantado na calçada que cerca o Parque da Aclimação, e líder eleito representante da Associação das Árvores, Arbustos e Vegetais da Cidade de São Paulo, e por este instrumento público venho apresentar os meus agradecimentos e os agradecimentos de toda a classe vegetal, aos administradores da regional responsável pela manutenção do nosso parque.
Esse agradecimento deve-se ao fato que, finalmente, teremos preservado um espaço mínimo ao redor de nossas raízes, e por esse espaço esperamos que a água da chuva penetre no solo e, assim, mate a nossa sede e permita nossa existência.
A população da cidade está cansada de saber que o solo da cidade está totalmente impermeabilizado por concreto, asfalto e construções; tanto é que as águas do lençol freático estão desaparecendo em muitas regiões, e o preço que a cidade irá pagar será drasticamente alto.
Já de alguns meses passados, nossas associadas plantadas ao redor de outro parque, localizado na Machado de Assis, nos informaram da satisfação de terem recebido um espaço de terra nua ao redor de suas raízes, e que por essa razão rejuvenesceram, floriram e deixaram de ser uma ameaça aos carros e casas vizinhas.
Só esperamos que não construam murinhos em torno desses espaços vazios, pois precisamos de toda a água possível para inundar esses nossos canteiros, e estejam certos de que saberemos retribuir aos humanos, com melhora do ar, beleza das flores, sombras refrescantes e um visual que contrasta com o concreto.
Obrigado a todos os urbanistas, engenheiros, administradores, pedreiros, jardineiros que estão trabalhando nessa reformulação, e aproveitamos para pedir a toda a população para que não machuquem nossos galhos. Se alguma de nós estiver plantada próxima a sua residência, fiquem de olho, e quando perceberem que a terra está muito seca e que não chove , despejem um balde de água limpinha em nossa raiz.
Nosso agradecimento se faz com o berço, os móveis de sua casa, as eventuais pernas e muletas, e estejam certos, para nossa tristeza, com o leito eterno.
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