O paulistano não deve falar mal de São Paulo

Pela quarta vez passando por São Paulo, o alemão Wolfgang Nowak, ex-secretário de Estado da Alemanha, disse que uma das coisas que mais o impressionou por aqui é o excesso de propaganda negativa feita pela própria população da cidade. "Acho que o paulistano deve mudar de espírito e acreditar mais em São Paulo", afirma.

No táxi, na televisão, no jornal, no dia-a-dia de uma maneira geral, um dos esportes favoritos do paulistano é falar mal da cidade.

O repórter que o entrevistou para o jornal O Estado de São Paulo, Bruno Paes Manso, disse: "Em São Paulo, nós compreendemos o significado do caos…". Wolfgang respondeu: "Não vejo dessa forma. Pelo contrário. Trata-se de uma cidade vibrante, com dificuldades típicas dos grandes centros. Claro que os desafios são complicados. Mas o fato é que São Paulo é capaz de lidar com os problemas que tem, apesar de aparentemente o paulistano não acreditar. Os paulistanos parecem valorizar as imagens negativas da cidade".

Em outro trecho da entrevista ele diz: "Há um problema com a auto-estima da cidade. Vejo, na verdade, duas cidades de São Paulo. A São Paulo real, com um belo centro histórico, parques, verde, arte, uma população criativa e também algumas dificuldades. E a São Paulo da propaganda negativa, em que os próprios moradores gostam de aumentar seus defeitos. Você não vê isso em outros grandes centros, onde se costumam passar aos visitantes principalmente aspectos positivos do lugar. Xangai, por exemplo, com graves queixas relacionadas à poluição e trânsito, dentre outras, consegue se vender como uma cidade empreendedora". Ele diz que "com esta visão pessimista, diminui o compromisso dos moradores com a cidade… São Paulo tem motivos para ser otimista. Assim como nos Estados Unidos, talvez vocês devessem repetir a si mesmos: Yes, we can! A Copa do Mundo pode ser uma boa oportunidade para trabalhar essa mudança e aumentar o compromisso dos moradores.".

Pergunta do repórter: "O senhor moraria em São Paulo?". "Sim, por ser cosmopolita e pelas energias e pela criatividade de seus moradores". O repórter perguntou ainda "se existe exemplo de solução criada em São Paulo que poderia ser implementada em outro lugar no mundo", e ele respondeu que "São Paulo foi pioneira em implementar o empreendedorismo social. As experiências inovadoras com atores das próprias comunidades são uma importante referência para outras cidades do mundo…".

A entrevista é longa e ele esteve na cidade para os preparativos da conferência Urban Age, que já passou por Nova York, Londres, Xangai, Cidade do México, Johanesburgo, Berlim e Mumbai, e que este ano ocorrerá nos dias 4 e 5 de dezembro. (Entrevista no jornal O Estado de São Paulo, de 17 de novembro de 2008, págs. C7).

Por que estou transcrevendo parte desta entrevista? Primeiro porque acho que ele tem razão no que diz, não só em relação a São Paulo, mas ao Brasil. O Brasil recebe elogios quase que só de estrangeiros. Em segundo lugar, porque acredito que exista uma boa parcela de paulistanos e de paulistas que se tornaram paulistanos por opção, que ama esta cidade e sabe apontar seus problemas e enaltecer suas qualidades. Tem compromisso sim com a cidade. O próprio empreendedorismo social a que ele se refere é prova disto.

O site São Paulo Minha Cidade precisa ser apresentado ao Sr. Wolfgang e deve-se também dar a ele, de presente, o livro editado. Este site, por meio das memórias de seus autores, é a própria exaltação da cidade e uma declaração de amor a ela, mesmo por aqueles que, por algum motivo, precisaram deixá-la e hoje estão em outras cidades, outros estados e até em outros paises.

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