Trabalhei como office-boy no fim da década dos anos 50 no Magazine Cassio Muniz, bem em frente ao lendário Colégio Caetano de Campos, onde lindas estudantes em seus uniformes azul e branco desfilavam na outrora exuberante Praça da República, naquela época ano de l958; aos 14 anos nem poderia imaginar que o progresso poderia modificar este cenário.
A loja Cassio Muniz localizada nessa praça, fazendo esquina com a aristocrática Rua do Arouche era um conjunto de lojas onde se vendia quase de tudo, era um aglomerado que tomava quase todo quarteirão oferecendo os objetos de desejo de muita gente; eram os eletrodomésticos, era a procura pela discoteca onde despontavam em LPS os cantores de sucesso do momento, destacando João Gilberto no prenuncio da Bossa Nova, o lançamento então do som estereofônico chamaria a atenção, pois poucos poderiam adquirir este sonho de consumo; até filas formariam para adquirir este aparelho, sem falar da TV em preto e branco, pasmem… Já com um controle remoto, não poderia ser esquecido o radinho de pilha Spica, coqueluche entre os jovens, era um status possuir esta novidade.
Continuando para o lançamento do som estereofônico da RCA foi até contratado o cantor Carlos Galhardo que faria shows por toda São Paulo para divulgar a sensação do momento, valendo frisar que São Paulo vivia ainda a euforia pela conquista da Copa do Mundo de Futebol pela seleção brasileira de Garrincha e Cia., tudo era motivo para a satisfação geral.
Cassio Muniz foi uma gigante naqueles tempos, tinha a companhia de várias concorrentes como Pirani, Eletro, Cliper, Mesbla e outras, mas o seu carisma era impressionante e devido ao seu sucesso teve a oportunidade de financiar a campanha de Jânio Quadros à presidência, o mesmo saiu vitorioso, porém logo renunciaria, antes porém por curiosidade fui ser o seu office-boy emprestado pela diretoria. O Sr. Jânio era uma pessoa fantástica. Muitos artistas ajudaram na campanha, era fácil cruzar nos elevadores com a Mariza, Hebe. Pena que as famosas forças ocultas o fizeram renunciar…
Pena que o tempo de office-boy passaria tão depressa, a gente de repente cresceu e viu praticamente vários magazines fecharem as suas portas, mas ficou na memória o glamour, a competitividade, a Cassio Muniz para a minha tristeza, pois ali iniciei como office-boy, também fechou. Um dia fui office-boy…
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