Turisteando em Sampa

Como costumo dizer, foi "turisteando", após uma temporada em terras longínquas, durante um mês e meio, entre abril e maio de 2009, que pudemos revisitar São Paulo. Meu marido, minha filha e eu estivemos frente a frente com uma cidade repleta de novidades e com os inúmeros projetos voltados à preservação e resgate da memória da nossa terra da garoa. Dito isto, transcrevo um pouco do diário desta turisteada por Sampa, que ficou registrada em fotos e escrita em nosso coração.

O Museu da Língua Portuguesa presenteou-nos com a nova ortografia, a qual ainda não estou muito familiar, e ao mesmo tempo surpreendeu-nos com sua contemporaneidade transposta na sua "linguagem" multimídia. Meu grande amigo Sartini, a Marilda e sua equipe estão fazendo um lindo trabalho lá.

O projeto "Escavando o passado" trouxe das entranhas do nosso solo paulistano relíquias encontradas em vários sítios arqueológicos, tais como capela São Miguel, Morrinhos, Solar da Marquesa, capela do Morumbi, dentre outros.

No Pátio do colégio, onde a nossa história começou, transeuntes preocupados em seu cotidiano nem percebem que passam ao lado de uma edificação que é testemunha importante do nosso passado Paulistano. Contudo, nós na nossa revisita fizemos uma breve referência em sinal de agradecimento, o que muita gente achou estranho. Mas tudo bem.

O Memorial da Resistência nos emocionou com o seu passado triste e sofrido da luta da busca da nossa burocracia.

A casa das Rosas nos relembrou de uma Avenida Paulista centenária dos barões de café.

Demos uma espiada em Portinari, Volpi, Malfatti, Cavalcanti e Picasso ali na Pinacoteca.

O "Catavento", espaço cultural instalado no prédio do Palácio das Indústrias, fez com que eu voltasse a ser criança, e junto com minha filhinha fiquei de cabelo em pé.

O Zoológico com uma gama bem diferenciada de animais pareceu-nos bem cuidado e bem jovial comemorando seus 50 anos de existência.

Parque da Água Branca, com uma diversidade arbórea sem fim, tem até revistaria e um passeio de trenzinho, com certeza foram bons momentos de lazer.

Na saída do Metrô Santa Cecília nos deparamos com um imenso painel que ilustra brilhantemente os diferentes momentos da nossa Literatura. Dá gosto de ver tanto talento junto. E em se falando em Metrô, descobrimos uma novidade, os tais bicicletários, mas não ousamos desbravar São Paulo em duas rodas. Internet de graça no Metrô da Sé? Um luxo só.

Qual não foi a nossa surpresa de ainda vermos circulando os tais ônibus elétricos, prova da resistência às mudanças ocorridas nos meios de transporte.

Na Torre do Banespa podemos ver uma São Paulo descortinada num panorama de 360 graus que me deixou tonta de felicidade.

Na Festa da Casaluce, o macarrão e o vinho trouxeram as lembranças de uma Itália que nunca pisamos.

No Centro Velho, ali pela 15 de Novembro, Rua do Carmo e Rua Direita andamos com muito respeito, aquele pedaço tem muita história.

Shopping da Luz não existe mais, entretanto a abóbada colorida sempre nos relembrará da antiga rodoviária e de um tempo que não volta mais. Vimos muitas obras na região, pareceu-nos que a revitalização do bairro está em andamento.

O Palácio Campos Elíseos ali na Rio Branco, este que um dia foi sede do governo, está em reforma, e o que vimos da fachada deu pra ver que vai ficar bem bonito. O Teatro Municipal, palco de grandes apresentações, também está passando por um restauro e soubemos que a última garibada foi em 1983. Parece que estava na hora, não é?

Novos teatros e novos restaurantes na área da Roosevelt, só que a praça já demonstra seus 40 anos de existência.

Visitamos amigos, parentes e até o pessoal da Secretaria de Esporte e Turismo, ali no Anhembi, muito gentis e nos receberam como velhos amigos. Entretanto, os amigos do site, estes confidentes do nosso amor por São Paulo, vão continuar virtuais, pois deixamos São Paulo antes da famosa reunião dos redondos. Que pena!

Lógico que São Paulo ainda tem as suas ruas esburacadas, calçadas intransitáveis, trânsito caótico, pichações e muita coisa ainda pra se consertar. Contudo, o carisma que esta cidade tem e o amor incondicional que sentimos por ela superam qualquer falta de cuidados.

Na nossa turisteada revimos São Paulo com um olhar generoso, como quando reencontramos um velho amigo, você releva, não repara nos defeitos, deixa pra lá e só curte os momentos bons. E é com o coração apertado e os olhos marejados por lágrimas já saudosas que digo: Velho amigo Sampa, você ainda nos cativa. Tchau e até a próxima.

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