Hoje tenho 63 anos e morei no Bexiga por cinquenta anos, casei-me e os meus dois filhos, Andrea e Anderson, nasceram também no bairro, tenho seis netos, todos oriundos do Bexiga.
Sempre gostei de futebol, então eu joguei em todos os times do bairro: Boca Juniors, cuja sede ficava na Rua Santo Antonio, que foi considerado um dos melhores times varzeanos de São Paulo, em que joguei com Agostinho dos Santos (cantor falecido), Carbone (ex-centro avante do Corinthians, que quando estava de folga vinha jogar para nós), o presidente era o Tito, na diretoria tinha o Dr. Assad (delegado de polícia na época), Jair, Fuad, os técnicos eram o Manelão e o Hilário, jogavam Serginho (Pezão), Bernardino (depois foi jogar no Juventus, Palmeiras, Argeu), Argentino Bolachada, Garrinchinha, Juarez, Fidélis, Marinho-Burro e outros mais.
Jogávamos aos domingos de manhã, em campo adversário, e sempre estava lotado.
A. A. Luzitana, presidido por muitos anos pelo inesquecível "Esquerdinha" e ainda era técnico do time; jogávamos aos sábados à tarde no campo do "Itororó", na Avenida Cidade Jardim, quando chegamos a ficar mais de duzentas partidas invictas, perdemos a invencibilidade para o Juvenil do São Paulo F. C., dirigido pelo falecido José Poy. Para jogar neste time tinha que ser muito bom de bola, senão não jogava, nem no banco ficava.
Vamos lembrar alguns nomes: Lourençinho, Feitiço, Kiko, Pato, Dois e Quinhentos, Rogério (Falecido) Cabana, Barra, Nivaldo, Rubião, Liguinha, Tachinha, Pinguinha, Testinha, Bolachada, Canarinho, Pedrão (atualmente é delegado de polícia), Lucio-Negrão, Marinho-Burro etc. Tinha também a turma do carteado em que só tinham figuras carimbadas: Cabeção (falecido), Mortiz, Dr. João Brasil Vita, Mossoró, Terra Vermelha, Yeyá, Magrinho (quando vivo nunca trabalhou, mas estava sempre de terno e gravata), Ligio, o seu pai Zé Bundinha, Franklin, Ginegui e outros mais.
De sexta-feira tinha o famoso jogo "Ronda", quando a polícia baixava era um tal de gente pular as janelas, andar nos telhados das casas vizinhas para não ser preso, porque era proibido este jogo.
Tinha também a turma dos "Batateiros", que vendia com carroças na rua. As cocheiras eram na Rua Una, esquina com a Rua Rocha, e o local das reuniões deles era na Rua Almirante Marquês Leão, em frente à casa do Sr. Atilio, que ainda mora no bairro, vamos ver os nomes de alguns: Paschoalino, Ivo, Guerino, Horacio, Escarola, Alfredo (Marcha-Lenta), Gilberto (Negrinho) Bagudi, Miau, Carminha, Diba, Maluquinho, todos já falecidos.
Tinha também as figuras lendárias do bairro, como o "Toninho-Babão" – ele fazia os serviços de rua para o Mirimi, que tinha loja de relógios na Rua Manoel Dutra, quando o Palmeiras perdia todo mundo tirava o sarro dele e aí atirava pedra no pessoal e saía correndo dizendo que ia chamar a Polícia… Mingo, que morava na Rua São Vicente, e todos os anos ele faziam um Judas de quase dez metros de altura, que era malhado aos sábados de Aleluia. Vinham molecadas de todos os lugares para ajudar a malhar, e no fim quebravam o maior pau, por causa das pauladas que às vezes pegavam em alguém.
Tenho mais histórias a contar, mas vamos deixar para outras ocasiões. Quero deixar um abraço para todos e espero ter contado um pouco do nosso querido bairro do Bexiga.
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