Lendo hoje umas histórias sobre trilhos e bondes, cliquei aquele botãozinho mágico em minha memória e voltei ao ano de 1945.
Morava na Rua Rubino de Oliveira, no Brás, bem em frente à "Garagem dos Bondes", minha casa era a nº 62. Tinha como vizinho a Padaria do Sr. Eugenio, que durante o racionamento de trigo, por causa da guerra, sempre arrumava para nós, um pouco de pão feito com farinha sem tanta mandioca misturada (ficamos sabendo que ele vendeu a padaria para um pessoal chamado Bauducco – não sei se é verdade).
Em frente de minha casa tinha o Bar Bonde, local de reunião dos motorneiros e cobradores com seus uniformes azuis, quepe da mesma cor e uma placa de metal com seu número, sempre cheio de gente e muitas histórias. Do lado, a Sapataria Rápida Faísca, que beleza, trocavam a sola de sapatos na hora. Pegado a sapataria, uma casa de molduras, quantos quadros lindos eu vi, aguardando serem emoldurados.
Na esquina, o restaurante Valente e do outro lado da rua a Confeitaria Gloria. Na Rubino, um pouco para cima de casa, havia o Bar Cinco Esquinas, logo depois o Externato São João, onde estudei e quase em frente ao depósito de doces da Fabrica Embaré, com seu famoso doce de leite.
Apenas um pequeno quarteirão, mas quanta coisa boa.
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