Tributo a Monteiro Lobato

No início do mês de julho de 1948, o repórter Murilo Antunes Alves da Rádio Record, resolveu fazer uma entrevista com o escritor Monteiro Lobato. Para tanto juntamente com Paulo Fagundes (técnico de som), seguiram para residência do escritor, a rua Barão de Itapetininga n.93, 13º andar. Para conseguir fazer a tal entrevista, o repórter teve que tirar leite de pedra. Tal era o mau humor do escritor perante aquele aparelhamento de gravação que na época era muito grande, o chamado gravador de rolo. Do microfone, Monteiro Lobato fugia como se fugisse do diabo. Enquanto Murilo tentava fazer com que ele concorda-se em falar, veio dona Pureza (esposa de Monteiro Lobato) dizendo que o fogão estava com problema. Foi ai que Murilo Antunes Alves sentiu a possibilidade de poder realizar a gravação. Paulo Fagundes, que era o técnico de som, era também o chamado faz tudo, Murilo foi até ele e perguntou:
– Paulo, quebra essa? Com a resposta positiva do colega, Murilo negociou com Monteiro Lobato o conserto do fogão com a entrevista. Monteiro Lobato topou, e assim foi feito. Muita história foi contada, numa rica entrevista. Porém três dias depois, dia 4 de julho, um domingo logo pela manhã, o Repórter Esso entrava em edição extra para informar. E ATENÇÃO: Faleceu às quatro horas nesta madrugada de domingo, o escritor José Bento Monteiro Lobato, em sua residência, de derrame cerebral, sem que nada se pudesse fazer para prestar-lhe socorro. Sua esposa dona Pureza Monteiro Lobato foi a única pessoa a assistir seus últimos momentos.
Pego de surpresa toda a população, chocada, começou a se postar em frente a residência do escritor. Seu corpo foi levado para a biblioteca municipal, onde foi velado até as 16h30, sendo posteriormente levado a pé por seus amigos e admiradores ao cemitério da Consolação, que não era muito longe da biblioteca. O governador Adhemar de Barros pediu licença a família para custear o féretro, no que foi atendido. Embora nascido no Vale do Paraíba, mais precisamente na cidade de Taubaté, Monteiro Lobato era quase um Paulistano. Cursou direito nas Arcadas do Largo de São Francisco, onde dividiu-se entre suas duas paixões, escrever e desenhar. Era um visionário. Tinha uma fixação e obstinação por encontrar Petróleo. Sendo inclusive preso pela ditadura Vargas, devido as duras criticas que fazia. Ele foi o precursor do movimento O PETROLEO É NOSSO, em 1953, quando foi fundado a Petrobras. As 16h30 horas quando seu corpo estava por sair, vieram as crianças se despedir do grande escritor do sítio do pica pau amarelo.
Em nome da biblioteca infantil do departamento de cultura falou o menino René Serra.
"Este é um dia vazio para nos, MONTEIRO LOBATO.
Um dia que despertamos, sabendo que você se foi, levando um pedacinho dos nossos corações, uma saudade de cada criança desta cidade, deste estado, deste país. A mesma dor que sentimos a sentem os jovens e adultos que já foram crianças, que já foram seus leitores, seus discípulos. Monteiro Lobato, você é o vovozinho de todas do Brasil, o avô carinhoso e muito rico de todos nós possuídos de um fabuloso tesouro. E antes de nos deixar, cuidou de amparar-nos, de repartir seu tesouro com seus netinhos. Transformou-o em livros, os mais belos, os mais proveitosos que já lemos. São lições para seus meninos. São guias que nos indicarão a direção a seguir nesta longa caminhada que iniciamos e que você já terminou. Obrigado MONTEIRO LOBATO você muito nos deu em troca, só podemos oferecer-lhe gratidão. Deus o receba. Se a carga não for pesada, leve consigo milhares de corações de crianças, entre eles estão os nossos, das bibliotecas infantis e do grêmio juvenil cultural MONTEIRO LOBATO"