Tem dia que tudo acontece à noite

Sair do trabalho e tomar umas biritas no boteco ao lado sempre foi uma coisa normal.<br>No Itaim Bibi, meu local de muitos anos, era na padaria MARIALVA (Rua Clodomiro Amazonas, esquina Joaquim Floriano) Pinga, Cerveja e Sanduíche de Queijo com Presunto, era coisa diária. Como a conversa se não fosse de futebol, era sobre política, a coisa ia longe. Como o peito estava calçado, a pinga não subia. Saia torto de lá. Mas em cima da minha Magrela (bicicleta) ia e não caia, mesmo estando com a cara cheia, a três quilômetros de distância. Anos mais tarde, já na Vila Olímpia, 1968 a mesma coisa acontecia. Só que não era numa padaria e, sim, na mercearia Algarve, onde Celestino padeiro servia aquela pinga não batizada. Para os amigo, é lógico. Tudo ia muito bem. Até que o Miro falou: Bom tá na hora da novela, vamos embora? Já está na hora da novela. Quando girei o corpo recostado no balcão, tudo girou em torno de mim. Não vi mais nada, fiquei bêbado de uma hora para outra. Estava eu a trezentos metros da minha casa, a bicicleta teve que ficar no estabelecimento. Fui levado para casa com dois em cada braço. Tal qual a Marvada Pinga, da Inezita Barroso. Dei um trabalho desgraçado para minha mãe, Café amargo, chá de todas ervas. Losna. Só me lembro, que era meia noite e ainda estava Bebacho.<br>