Ainda muito presente em minha memória, aquele passeio ao Horto Florestal com a turma do Colégio (Colégio Estadual da Água Fria), ali no início dos anos 70, carregava uma expectativa muito grande de ter oportunidade de declarar meu amor à Leslie – nome de atriz de Hollywood, uma menina de cabelos negros, olhos espertos e um sorriso lindo. Tudo acertado para irmos, uma turma de meninos e meninas, uma vitrola – daquelas de alto falante na tampa, colorida, alguns discos de vinil – Credence tocando Have you ever seen the rain – e o frescor de nossa adolescência. Os casais de quase crianças se formaram naturalmente e os deslocamentos pelas trilhas do horto começaram a acontecer. Conversamos, eu e a Leslie, muito, mas, para minha decepção, nada mais aconteceu. Nenhum beijo, nenhum abraço, nenhum amasso. O amor durou talvez somente mais uma ou duas semanas até que uma lourinha de minha turma me chamasse mais a atenção do que a Leslie que certamente não gostara de meu pouco jeito de lidar com as meninas. O tempo passou, dois casamentos, viajei boa parte do mundo, moro hoje em outra cidade, mas ainda trabalho aqui em São Paulo e ouvindo a CBN ontem a respeito dos Parques desta cidade, lembrei-me desta história que me remete a um tempo que os adolescentes se permitiam deslocar de um local a outro sem qualquer risco de assaltos, seqüestros, violências, etc… e com sua principal razão de tristeza sendo somente a profunda mágoa de um beijo perdido, de um abraço negado e de um amasso contido.
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