Mudei-me para o Sapopemba em 1971, naquela época as ruas não eram asfaltadas, não tinham iluminação e a vida de moleque era boa demais; minha rua chamava-se Cristovão Jaques, as brincadeiras de moleque eram: jogar pião, bolinha, carrinho de rolimã, caçar pardais, jogo de queima, mana mula, entre outras.
Estudei no Henrique Melega, minha primeira namorada na escola não esqueço… Sandra Regina Pedrosa. Os bailes da região eram o Estúdio 33, o Poeirinha, o Corinthians, o Elefante branco. Toda sexta era todo mundo cabulando para ir aos bailes. Naquele tempo, tirávamos as meninas para dançar lento, bem diferente de hoje. Aos domingos, íamos à feira que ficava na rua do antigo cinema Sapopemba, para paquerar.
Meu primeiro filme adulto assisti nesse cinema, lógico tive que falsificar a carteirinha de estudante para entrar. O filme “Dio come ti amo” e “Lucio Flavio”… inesquecíveis. Tínhamos a liberdade de sair de sábado para procurar bailinhos, sem a violência dos dias de hoje, a quermesse da Igreja Nossa Senhora de Fátima era o ponto de encontro de todos, os bailes de Carnaval do Corinthians eram os mais animados, tinha a tabacaria na avenida, o BNC Itaú, lojas Nikkei.
Sinto falta daquele tempo, onde as pessoas eram mais puras, tinha o romantismo, cartas de amor, correio elegante, dança a dois, era bom demais…
Sapopemba te amo, apesar da infância pobre nunca me faltou alegria, sonhos, uma infância de verdade… Amigos da época: Severino, Dão, Joca, Daniel, Delli ou Baba, Assis, entre outros. Saudade nunca é demais…
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