Dizem que São Paulo é uma cidade desumana, fria, individualista. Pois a minha relação com ela é bem diferente.
Nasci, cresci e morei, até cinco anos atrás, no mesmo bairro. Conhecia todo mundo: o "Seu" Brandão, da farmácia, o Seu Hélio do açougue, a Noriko da quitanda, todo o pessoal do ponto de taxi, os outros lojistas e, principalmente, as crianças dos prédios em volta do meu. O zelador, então, nem se fala: o Ademar, que me viu nascer, é hoje um amigo da família, convidado que eu nem podia imaginar que faltasse a meu casamento.
Há uns quinze dias, passei por lá. Muitas pessoas já saíram de lá, Itaim-Bibi. Mas as que encontrei… Foi uma festa, era como se eu estivesse voltando para casa. Me senti como uma daquelas pessoas que moram em cidade do interior, se ausentam e voltam.
Quem disse que em São Paulo não existe mais vida de bairro? O problema não está na cidade e sim na rotatividade a que as pessoas estão obrigadas. Mas basta querer e olhar em volta que você encontra muita gente querendo ser amiga.