Nos idos anos de 1975, eu trabalhava no Comind da Praça da República. Naquele tempo a Praça da República era muito bonita; não sei agora porque a ultima vez que fui lá fiquei muito triste em ver. Havia feira hippie, mas com sujeira, prédios abandonados… Era uma tristeza!
Mas no meu tempo não era assim. Eu me lembro da Salada Paulista, onde ia de vez em quando, quando o dinheiro dava, comer algo. Às vezes, em pé no balcão, comia um delicioso pão com mortadela. Eu me lembro dos azulejos azuis e brancos, o lufa-lufa dos garçons atendendo a clientela.
No dia do acidente do Joelma, nós paramos e fomos à janela olhar aquele inferno, pessoas se jogando, pessoas desesperadas… O Mappin ficava ali perto… Não me esqueço do tombo que levei nas escadarias que ainda não eram emborrachadas. Fiquei tão envergonhada que sai correndo da loja.
Naquele tempo eu era ágil em digitar com as máquinas Borrous e Olivetti. Digitava o fundo de garantia ou todo o movimento bancário das agências do Comind. Depois da Olivetti o banco implantou as máquinas IBM. Não era como agora que a gente corrige, tinha o departamento que fazia esse serviço e saia uma listagem.
Mas eu todo o dia entrava na sessão para fazer do meu dia um dia de trabalho responsável. Quietinha no meu canto digitava e sonhava, porque sonhar ainda faz parte da minha vida!
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