São Paulo no tempo da eleição II

Em 1952 logo depois que Lucas Nogueira Garces, governador eleito tomou posse, tinha que nomear o prefeito da cidade. Os prefeitos até então não eram eleitos pelo povo. Era de vontade do governador. Ele é quem nomeava o alcaide. Mas o professor Lucas Nogueira Garces, um grande democrata, achou por bem confiar ao povo sua indicação. Até então a prefeitura ficava a cargo de Armando de Arruda Pereira. Sendo assim a partir de 1953, a cidade de São Paulo passaria a ter um prefeito a gosto da população. Nessa época o senhor Ademar de Barros praticamente mandava no política paulista. Inclusive foi ele o responsável pela vitória do professor Garces, para substitui-lo no palácio dos Campos Elíseos, sede do governo paulista.
Na condição de líder do PSP (partido social progressista) Adhemar de Barros apoiou Francisco Antonio Cardoso, como candidato pelo PSP. Do outro lado estava Jânio da Silva Quadros. Um professor, e advogado, que tinha sido vereador, e deputado estadual. Eram duas campanhas distintas o candidato apoiado por Adhemar era o candidato de campanha rica, e Jânio Quadros era o candidato que fazia parte de uma campanha pobre. Era a chamada campanha do tostão, contra o milhão. Era praticamente impossível o candidato apoiado por Adhemar de Barros perder aquela eleição, segundo perspectiva dos analistas politicos. Não só pelo fato de estar o senhor Antonio Cardoso numa campanha rica. Mas isto sim, por estar apoiado por Ademar de Barros o político mais carismático daquele período. Mas Jânio Quadros, vinha fazendo uma campanha que para muitos era demogógica, tinha ele sido vereador e deputado estadual. Fazia muitas brigas, e discursos escandalosos para chamar atenção, sem contar com os "desmaios" que já tinha tido. Certa ocasião foi a tribuna e nos seu discurso disse que tal projeto de sua autoria tinha que ser aprovado mesmo a custa de sangue. Pelo jeito de sua voz molenga, era tambem chamado de bêbado. Enfim Um louco, segundo minha mãe. Para meu pai o candidato ideal para dar uma lição de moral no grande "Ladrão" que apoiava o outro candidato. O campo preferido de Jânio Quadros, era o bairro de Vila Maria, e ali ele dizia que ganharia aquela eleição. Não sei dizer o motivo, mas Vila Maria era seu reduto. Mais tarde diziam Vila Maria arrependida. Certo dia Jânio, foi fazer um discurso no meu bairro, Itaim Bibi. Foi na rua Joaquim Floriano quase no fim, num terreno onde Mazzaroppi fazia seu circo teatro. Em cima da carroçaria de um caminhão, Jânio discursava. Quando deu uma parada. Tirou do bolso de seu paletó, encardido, como gostavam de dizer, uma banana e pos-se a comer. Depois, pediu desculpas dizendo que não tinha comido nada até aquela hora, (21, mais ou menos)Com isso ele foi ganhando notoriedade pois se tratava de um politico diferente em tudo. Copletamente fora daquele padrão do polico correto, formal, bem vestido. Pelo contrário, era o avesso. Estava sempre despenteado, camisa amassada colarinho descomposto, e com olhos de quem era caolho, com oculos de aro preto desconjuntado. Dava a impressão que tinha chegado em plena decada de 1950, o novo Messias. Seu linguajar completamente diferente, em sonoridade e com palavras que mais pareciam desconexas, mostrava um politico completamete diferente dos demais, até então surgidos. No dia 21 de março de 1953, o povo foi as urnas e o elegeu com uma diferença de déz mil votos, por ai.
Já na prefeitura tomou medidas até então vista. Foi de madrugada no mercado municipal e tinha um ou outro varredor e coletor de lixo, ele ia anotando os nomes. Os demais chagavam pelas 9 horas, sem contar os que não iam e tinha o ponto marcado por colegas. Os que estavam no horário normal continuaram, os demais foram demitidos.
Daí para frente teve uma carreira que cresceu vertiginosamente, que Sete anos mais tarde, era presidente da república, depois de ter sido governador do estado.