A eleição de 1954 para governador de São Paulo, prometia bastante, porque Jânio e Adhemar. Seria uma eleição inédita para ambos. Iriam se encontrar pela primeira vez frente a frente numa eleição. Até então Jânio tinha enfrentado um candidato apoiado por Ademar, no ano anterior. Jânio continuava com aquele mesmo jargão "tostão contra o milhão" e não largava da vassoura que dizia varrer todos os corruptos do estado de São Paulo. Aproveitando o fato de haver um processo contra Ademar, no caso dos Chevrolets, em que o ex. governador era acusado de improbidade administrativa e peculato. Já Jânio, tinha contra si o fato de ser chamado de louco, demagogo, e se preciso fosse desmaiava em qualquer lugar. Era também chamado de pinguço, desde os tempos que freqüentava as arcadas do Largo de São Francisco onde foi diretor do centro acadêmico 11 de agosto.
Já Ademar, sempre com seu jeito brincalhão, dizendo aqueles mesmos slogans anteriores. MEUS CAROS PATRÍCIOS. PARA FRENTE E PARA O ALTO. FÉ EM DEUS E PÉ NA TABUA. Tinha um eleitorado cativo, entre os quais motoristas de praça, e as más línguas também apontavam as prostitutas como ademaristas até de baixo d'água.
Francisco Prestes Maia também estava na disputa, este já mais sério era introspectivo, falava pouco mesmo tendo um currículo invejável obras pela cidade que não davam dúvida a ninguém. Nos últimos dias de campanha, seus correligionários soltavam panfletos, que diziam:
JANISTA AMIGO – VOCE JÁ MEDITOU! PRESTES MAIA GOVERNADOR – JANIO QUADROS PREFEITO – DERROTEMOS ADEMAR, FAZENDO PRESTES MAIA GANHAR – QUEM VOTAR EM JÂNIO, ESTARÁ AJUDANDO ADEMAR. VOTE EM PRESTE MAIA E MANTENHA JANIO QUADROS NA PREFEITURA. O ESTADO, A CAPITAL E O POVO É QUE VÃO GANHAR.
Janio Quadros era o prefeito e muita gente queria que ele continua-se na prefeitura. Mas ele e seu vice Porfírio da Paz, eram mesmo candidatos. E já estava falando, como tal: Senhôras e senhores. Euuuuu, candidato-me para sepultar o ladrão de chevrolets da vida paulista e paulistano, dizia ousadamente. Nessa altura Jânio estava com seu cartaz político bastante alto. Era certo que na cidade de São Paulo ele venceria. O interior era uma incógnita. E quando a eleição veio foi uma disputa simplesmente sensacional. Na marcha da apuração a contagem manual, era voto contra voto. Ora era um, ou outro na frente, foi uma semana de calafrios, gritos urras. Nos bares o radio ligado na marcha da apuração prendia a atenção de muita gente ávida por ver seu líder político vencedor. Quando se anunciava que Jânio tinha levado uma boa vantegem numa deterninada urna os gritos eram mais fortes. Fogos eram espolcados. Principalmente quando o rádio anunciou que uma urna da cidade de Perdeneiras Adhemar de Barros, não tinha tido um voto sequer. Novamente pouco mais de dez mil votos foi a diferença. Só que Adhemar não se conformou, e pediu a recontagem dos votos. O que foi concedido pelo tribunal regional eleitoral. E a recontagem dos votos foi realizado no Palácio da Justiça, na praça Clovis Bevilaqua. E ao final da recontagem surpreendentemente Jânio vitóriou-se pela diferença de 18 mil votos.