Rua Maria Domitila, Brás – As Enchentes nos anos 50 e 60

Animado com o relato da Branca sobre a Rua Queiroga, decidi falar um pouco também sobre fatos de nossa juventude no Brás. Ah, que tempos maravilhosos!!!

Bem, nem tudo foi tão maravilhosos assim, lembro-me das grandes enchentes no final dos anos 50 e início dos 60…

Por duas vezes, enfrentamos as cheias do rio Tamanduateí, que passa pelo Parque D. Pedro.
Nossas ruas e casas foram invadidas pelas águas malcheirosas, carregadas de óleo e carvão oriundos do Gasômetro, então, em pleno funcionamento e hoje, transformado em Museu.

Lembro-me de ter perdido livros e cadernos que guardava com carinho desde o curso primário, afora os móveis e paredes encharcadas em minha casa na Vila Cacilda, situada na rua Maria Domitila.

Sorte de quem morava nos altos dos sobradões que existem até hoje na Rua Pires Ramos. Mas nós, que morávamos em casas térreas, sofremos as conseqüências da verdadeira Veneza em que se transformaram nossas ruas.

Na segunda enchente, meu pai resolveu mudar de lá e fomos morar no primeiro andar de um prédio de apartamentos na Rua Caetano Pinto. Sempre bem humorado, declarou meu pai na ocasião: "Se a água um dia chegar aqui, metade do Brás vai morrer afogada!"

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