Rodoviária Julio Prestes

Feriado de sete de setembro do ano de 1981.

Meu irmão estava trabalhando na Sul Fabril em Blumenau, SC e resolvi aproveitar o feriado prolongado para ir visitá-lo; afinal ainda não conhecia Santa Catarina e seria uma oportunidade.

Naquela época a rodoviária ainda era no centro e no ano seguinte seria transferida para o Tietê.

Essa rodoviária já estava insuportável há muito tempo, era ônibus demais para pouco espaço e imaginem, então, véspera de feriado prolongado. Um horror!

Já havia comprado a passagem com antecedência e tratei de descer logo para a plataforma. Lembram-se como era estreita e curta a plataforma?
Pois é, estava apinhada de gente e mal dava pra colocar os pés, imagine se dava pra colocar a mala no chão.

Fiquei esperando o meu ônibus encostar e já nervosa com o empurra-empurra. Percebi que um rapaz esbarrou em mim, mas como estava muito apertado achei que fosse um incidente apenas.

Eu estava com uma mala pequena que iria colocar no ônibus mesmo e no outro braço carregava uma bolsa tira-colo, quadradona, de couro marrom.

Assim que o ônibus chegou tratei de subir logo e, antes da metade do corredor, uma senhora me diz:

– Olhe sua bolsa!

Quando tirei a bolsa do ombro e olho, fiquei estupefata! Ela estava, no lado de dentro, rasgada de cima a baixo. Sentei-me na minha poltrona e respirei fundo. "Pronto, roubaram a minha carteira"…
Abri o zíper e olhei dentro. Ela estava lá… conferi tudo e dei por falta, apenas, um estojo de maquiagem de couro, que, com certeza, o larápio pensou ser uma carteira. Bem feito!

Analisei o que aconteceu e então me lembrei do empurrão dado pelo rapaz. Lembrei-me de que ele estava com o paletó jogado por cima do ombro esquerdo e a mão direita embaixo dele. Era isso… ele estava com uma faca ou canivete nessa mão e foi nesse empurrão que ele tentou me assaltar.

A bolsa não teve conserto. Mas, felizmente, não foi o meu braço que ele cortou. Já pensou?

Passado o susto, tratei de relaxar, pois afinal não conseguiu pegar o meu dinheiro e pude terminar a minha viagem tranqüila. Em partes, pois foi um susto e tanto.

Essa foi a única (e espero a última) vez que fui assaltada cara-a-cara por alguém. Mas já presenciei com outras pessoas. Uma violência contra um cidadão!