A Bastilha do Cambuci

Nas primeiras décadas do século XX, o bairro operário do Cambuci era um foco de agitações políticas. Quando caiam nas garras da polícia, anarquistas e líderes do movimento sindical iam parar nas celas da delegacia da rua Barão de Jaguará. O lugar ficou conhecido como "BASTILHA DO CAMBUCI", numa referencia a prisão invadida pelos franceses, em 1879. A nossa "queda da bastilha" ocorreu em outubro de 1930. Com a vitória da revolução de Getulio Vargas, manifestações tomaram conta da cidade e a cadeia foi arrombada e incendiada. O bairro do Cambuci era um local onde tinha muitas gráficas, que nos anos 1940-50, era um dos sindicatos mais fortes. E que fazia greves homéricas que duravam muitos dias, quando não era a greve de sua categoria, os gráficos tinham participação ativa na greve geral, dos trabalhadores, como a do início dos anos 1950, que durou dois meses, ou mais. Foi necessária a ajuda de entidades suprir as necessidades de alimentos para os grevistas. A cidade de São Paulo já foi à cidade de "briguentos", muitas manifestações sangrentas ficaram marcadas na historia da cidade e do Brasil pela repercussão nos jornais e noticiários do rádio. Em 1947 foi o aumento dos bondes pela Ligth, de 0,20 para 0,50 centavos. Houve um tremendo quebra quebra. Um menino atirou uma pedra num ônibus, quebrando o vidro da frente no vale do Anhangabaú sendo assassinado ali mesmo pelo motorista do coletivo. Já em 1958 foi o aumento do ônibus de 3,50 para 5,00 (cruzeiros). Nesse movimento hostil eu participei, foi uma grande correria pelas do centro velho, quando os cavalarianos da força pública vinha pra cima da gente. Naquela peleja, povo-polícia, quatro pessoas foram assassinadas nas escadarias do palácio da justiça na praça Clóvis Bevilaqua, perfurados pelas baionetas (facas que ficavam amarradas na ponta dos fuzis).