Rir ou chorar

Na década 60, precisamente no ano de 1966, havia uma indústria que fabricava bobinas para automóveis e ela situava-se na Rua Quitanduba, n. 4-A, no bairro do Caxingui, o qual se situa no início da Avenida Prof. Francisco Morato, a qual se inicia no Butantã (antiga Paineira).

Muito bem… Como eu residia na mesma rua da empresa supra referida, não foi difícil eu arrumar um emprego com o cargo de office-boy….Todavia, entretanto, porém, (olhem os advérbios adversativos aí, gente!)… Então, ocorre que eu não conhecia rua nenhuma nem de Pinheiros, que era o grande bairro vizinho ao Caxingui, e muito menos do centro de Sampa. “Rua Conselheiro Crispiniano, Rua Barão de Itapetininga?! O que é que é isto?”, me perguntava. “Era algo de comer?”.

Porém, aos poucos, aprendi a colocar cartas na franquia do correio, pagar duplicatas nos bancos, comprar peças ou ferramentas na Rua Florêncio de Abreu. Olha só! Do meu primeiro dia de trabalho até o dia em que conheci o centro, foram mais de 30 dias e neste prazo, meus senhores, levei bronca dentro do ônibus Caxingui-Centro. A vida é dura, não é mesmo?

Certo dia, vi um anúncio de um sorvete na Avenida Ipiranga e pedi ao atendente que me servisse o mesmo. Depois de degustá-lo, pedi a conta e foi quando eu quase caí de costas… Aquilo que eu consumi era nada mais nada menos do que um "Sundae", o qual custava o "olho da cara… Eu paguei e fiquei sem dinheiro para pagar a condução que eu precisaria tomar para ir até Santana entregar uma carta na Voluntários da Pátria. Inexperiente, medroso, assustado; o que eu fiz? Com medo do chefe, fui a pé da Av. Ipiranga até a Voluntários, e também voltei, e daí fui a pé até minha casa no Caxingui.

Enfim, cheguei em casa lá pelas nove horas da noite, e a rua inteira estava atrás de mim… Meu pai, coitado, pôs-se a chorar (de alegria) quando me viu.

Agora, neste momento, fico até meio sem jeito por lhes contar este episódio que parece humor negro, mas não é…

No dia seguinte, os diretores da empresa disseram-me que, quando for assim, eu devo voltar para casa. Lembro-me daquele dia e não posso negar que o que dá para rir, dá para chorar mesmo.

Aqui em Sampa, eu fui feito, aqui eu nasci, me criei, aprendi tudo na vida. Aqui em São Paulo, capital, graças a Deus eu aprendi amar e ser feliz. E aqui é o local das minhas emoções, com os detalhes de que tudo isto ocorreu no dia em que perdemos para os magiares (húngaros) por 3×1 na Copa de 66 em Londres e fomos eliminados.

Meu querido e saudoso pai, coitado, naquele dia chorou por dois motivos. Por outro lado, durante a vida, ele sempre nos proporcionou alegrias atrás de alegrias, pelo grande e exemplar pai que foi.

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