A Praça da Sé já perdia espaço para outras regiões. A Praça da República com as joalherias, Casa Castro, Amsterdam, H. Stern, Casa Cássio Muniz, Banco da Lavoura de Minas Gerais, Banco Comercial do Estado de S.Paulo (da família do ex-ministro José Maria Whitaker), com o Cine República e uma das primeiras agências de carros na esquina com a Rua Pedro Américo.
As ruas próximas todas com comércio diversificado e de grande sofisticação. Assim, a Av. Vieira de Carvalho, com suas churrascarias, pizzarias, restaurantes de renome era o ponto preferido do gourmet da época. Com o tempo os estabelecimentos mudaram para outras regiões, mantendo os nomes e a tradição. Basta citar o Rubayat e o Carlino.
Na Rua do Arouche inúmeras lojas de calçados e bolsas. O Colégio Caetano de Campos, tradicionalíssimo, tinha um lugar de destaque na Praça da República. Na Rua Basílio da Gama a atração era o restaurante Cad'oro, na Rua Sete de Abril o Hotel Samambaia que com seu luxo destoava um pouco do ambiente.
O edifício dos Diários Associados onde, no imenso saguão, foi recolhido "ouro para o bem do Brasil". Aceitavam ouro (correntes, anéis, brincos) e também dinheiro e o "trouxa" levava um anel com a inscrição "dei ouro para o bem do Brasil". Fui um dos "trouxas".
Ninguém sabe onde foi parar o "ouro".
A Boate Oásis, não lembro se na Sete de Abril ou Barão de Itapetininga, tinha uma frequentadora ilustre, a cantora Maysa Monjardim. A Barão de Itapetininga já não tinha o encanto de outrora, agonizava. Tinha sido a coqueluche da sociedade, era o que hoje representa a Oscar Freire. Perdeu a nobreza para a Rua Augusta e imediações.
Na esquina Praça da República, 24 de Maio, Panair do Brasil havia a Casa Manon (loja de instrumentos musicais), Bruno Rossi, Banco Moreira Salles, Mesbla, Sensação Modas, Camisaria Chiodi e Galeria.
Na Av. Ipiranga, próximo à São Luis, o fantástico Edifício Itália. Logo adiante o Hotel Eldorado, pelo lado da Ipiranga o Edifício Copan em frente ao Hilton Hotel, hoje na marginal.
Quem se lembra do Clube de Paris, Belami, Michel, La Vien Rose e um pouco mais distante o La Licorne. Nesse capitulo ainda podemos citar o Can-Can e o Fascination na Av. Nove de Julho, na Liberdade o Liberty Plaza, harém na Rua Pedroso, Vagão (olá Jacinto), Pluma, Kilt, Herminio's na Nestor Pestana.
Na Av. Ipiranga quase esquina com São João uma engraxataria na parte da frente e no fundo um enorme salão de sinuca onde reinava a classe do jogador "Praça". Exímio no taco, que só perdia para o lendário "Carne Frita". Na Rua Formosa, em cima do cine Cairo, outro salão de sinuca, mas pouco frequentado.
Falando em cinema aos domingos de manhã o metrô tinha a sessão Festival Tom e Jerry, maravilhoso. Adulto só entrava se acompanhado de uma criança. O Marrocos destacava-se pela espaçosa sala de espera, o Ipiranga pela distância das cadeiras, dando maior conforto. O Coral era pequeno, porém, aconchegante, o Juçara conhecido pelos filmes eróticos.
O Comodoro pela tela enorme, o Astor pela freqüência de gente bonita, o Maracha e Majestic pela bagunça na Rua Augusta, o Windsor vez ou outra um bom filme, o Mônaco pelos filmes franceses, o Ouro deixava a desejar. O Áurea, Oásis, Arouche Avenida, Las Vegas, Los Angeles, só exibiam filmes de terceira classe.
Nesta época o cine Bijoux na Praça Roosevelt só passava filmes de arte. A inauguração do Cine Olido foi um acontecimento social, tapetes, cortinas, pianista, tudo de muito bom gosto, luxo e organização impecável. Luxo em todos os setores. Na cinelandia era possível assistir filmes a meia noite. E hoje? O perigo ronda.
Para os dançarinos, as grandes casas do samba malandro: Garitão, Som de Cristal e Avenida Danças.
Abraços
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