O "turco" Tuxi

Sr. Olavo Bilac Martins de Souza, meu pai, hoje com 84 anos e foi ele quem me contou esta história. Ele costumava comer esfihas e quibes no barzinho de um turco de nome Tuxi. Uma pessoa muito amável, bondosa, sempre servindo com um sorriso e fazendo muitos amigos.<br><br>Tuxi sempre vinha com um pratinho a mais, algo de graça para que seus amigos apreciassem, dizendo para que provassem mais uma especialidade da casa. Suas esfihas eram maravilhosas, um tempero como nunca mais se viu. Os quibes eram enormes, crocantes e muito bem feitos.<br><br>Tuxi conversava com todos, sempre contando como havia deixado sua terra. Que de acordo com sua narrativa passou muito medo lá, pois quase morrera a 'ponta de faca' devido aos problemas políticos reinantes na época. Não se sabe exatamente de que país Tuxi viera, era chamado de 'turco' devido aos seus grandes bigodes e naturalmente seus quitutes daquela parte do mundo.<br><br>Tuxi amava São Paulo e era muito grato pela acolhida. Dizia ser feliz aqui, não ter medo de nada, não se sentir ameaçado. Era casado e tinha três filhos homens, meninos bonitos e sempre sorridentes como o pai.<br><br>Ele era um homem feliz e seu negócio prosperava, os amigos paulistas gostavam muito dele. Conta meu pai que uma tarde ao se aproximar do barzinho do Tuxi encontrou as portas fechadas. Achou estranho. <br><br>Na porta, um papel escrito informava que o local estava de luto. Meu pai se dirigiu ao estabelecimento vizinho e ficou sabendo que haviam assassinado o Sr. Tuxi na noite anterior. Alguém entrara no bar para roubá-lo e dera um tiro no pobre Tuxi.<br><br>Tuxi que fugira da sua terra para escapar da morte e encontrara a morte numa Rua de São Paulo, a quem tanto amava.<br><br><br>E-mail do autor: [email protected]