Remanecências de um historiador solitário

Dizem as regras que o escritor é solitário. Escolhendo tal profissão, o escritor terá que se acostumar com a própria companhia e fechar as portas da comunicação com outros seres.
 
Era jovem e me encontrava pelas ruas da cidade metrópole, buscando minha própria sobrevivência. Trabalhava por necessidade. Assim fiz meu concurso no labor por 40 anos até minha aposentadoria, que ocorreu em 2002, e contava com 56 anos de idade. Em SP fiquei por três anos, de 67 a 69.
 
O solitário, acho, é um triste. Embora na minha existência tenha me deparado com muitas alegrias… No âmago de meu ser, sempre fui triste.
 
As coisas minhas foram acontecendo, uma a uma por necessidade. Assim aconteceu com meu casamento e dele tive meus três filhos queridos e amados. 
 
Há uma oração que tenho que diz que os filhos não são nossos, são de Deus, que nos empresta. Minha esposa é companheira fiel, está sempre comigo, ajudando-me e fazendo seu papel. Penso que a amo, pois não sou capaz de viver longe dela. Se acontecer ficar mais de três dias distante dela, acho que enlouqueço.
 
Meu propósito neste texto é descobrir e abrir minha caixa de segredos e dizer que sou um ser muito carente. 
 
Tentei ser livre de meus pais e irmãos e só consegui a liberdade ao me casar. Já estou casado há 40 anos. Acho que o casamento é para sempre. Deus me livre assumir compromissos e depois interrompê-lo.
 
Estou atualmente com 68 anos. Nossos filhos foram, um a um, tomando suas vidas e se foram. Claro que estão sempre em contato, mas nesta etapa estamos no lar vivendo o período da síndrome do ninho vazio. Quando no lar só resta o casal, leva tempo a se acostumar com a solidão… Os barulhos comuns são o som da televisão, do rádio, do cão e dos gatos que circulam pelo pátio. Amo minha esposa.
 
Buzinas de carros soam pela rua, a comunidade onde moro é pacata. Tem que se acostumar ao silêncio e a calma de um lugar assim. As pessoas do bairro se cumprimentam e se encontram uma vez na semana, durante a celebração em nossa capela.
 
Penso que deveria tratar de formar grupos de terceira idade, onde se joga um baralho ou dominó… Mas como cada um é dono de seu tempo, cada um trata de viver sua própria vida.
 
Gosto de viajar a passeio para conhecer novos locais. Nem sempre podemos ter este gosto. As viagens custam caro, então, viaja-se pouco e nos acostumamos com a rotina. 
 
Dizem que a rotina é desgastante… Mas o que se pode fazer se o mundo não dispõe de divertimentos para a terceira idade?
 
Há sempre aconselhamento que devemos nos mexer. Frequentar uma academia, ter amigos para partilhar… No SPMC há um grupo dos redondos que se reúnem uma vez por mês ou em dois meses, porém, a frequência é baixa, digo, em números, pois as distâncias são enormes e o encontro prejudicado.
 
Mesmo assim, valeria à pena buscar a aproximação nesses grupos, pois o que se tem em comum é a solidão.
 
Neste estado de espírito, é bom não ficar muito tempo retido em casa. 
 
Há aconselhamentos que devemos sair de casa, nem que seja para enterros e sepultamentos. 
 
Recentemente, participei de um do Almir. Nos deixou ele que sofria de diabetes.
 
Vi seu corpo ser descerrado na sepultura e imaginei o dia em que também terei a mesma sorte. Sou saudável e não digo que vá viver muito. Em geral, gosto da vida, de ser alegre e de ter prazer em conviver com as pessoas. 
 
Embora na maior parte do tempo prefira permanecer calado, é bom trocar ideias quando o assunto é de interesse comum.
 
Estamos no período da Copa do Mundo de futebol. Imaginei acompanhá-la vendo todos os jogos que podia, mas, no início foi bom. Hoje ela se tornou monótona. 
 
Como foram feitos gastos altos para tê-la conosco, imagino o que seja depois da copa encerrar-se… Não resta dúvida que a festa deste evento é bonita, pois há o congraçamento de povos do planeta, então, a gente se diverte com as novidades dos povos, seus rostos e cores e suas roupagens coloridas.
 
Que vença a seleção que melhor esteja preparada.
 
Pediria a quem se interessar endereçar comentários através de meu e-mail.
 
Grato, e até a próxima oportunidade.