Redutos da Cidade

A cidade de São Paulo, até a metade do século XX, tinha poucos redutos, ou setores, onde se aglutinavam certas coisas do mesmo ramo, no sentido comercial ou social. <br><br>Para não dizer que não tinha nada, foi construída nos anos 1930-40, indo até quando muito nos três primeiros anos 1950, a zona do meretrício, Ruas Aimorés e Itabóca. Segundo as autoridades sanitárias, era preciso confinar mulheres que praticavam o lenocínio, a fim de não disseminar prováveis doenças. Mais tarde, com o fechamento dessas duas ruas, todo o quarteirão do centro da cidade mais ao lado do bairro da Luz foi o local escolhido pelas mulheres “sem teto”. Prédios e hotéis de curta permanência fizeram daquele ponto da cidade um autentico “centro turístico” denominado de “boca do lixo”, por todos que aqui moram, ou vinham, mesmo que por pouco tempo.<br><br>O comércio era totalmente no centro da cidade, onde pontificava o Mappin Stores, onde se comprava de tudo, e as lojas de departamentos – exceto nos pequenos comércios periféricos, como bazares, açougues e mercearias.<br><br>Com o tempo, foram surgindo determinados lugares onde se percebeu a aglutinação de determinados comerciantes. Por exemplo: eletricidade e aparelhos eletrônicos na Rua Santa Ifigênia. Já as luminárias e abat jours na Rua da Consolação. Máquinas e ferramentas, Rua Florêncio de Abreu. Roupas e tecidos, Rua José Paulino. Flores, Rua Doutor Arnaldo e Largo do Arouche. Na Rua Teodoro Sampaio você pode comprar todo tipo de móveis, em madeira ou estofados. Já para quem gosta de coisas antigas, como móveis e objetos de decoração, pode ir na Praça Benedito Calixto, em Pinheiros. Para quem gosta de coisas orientais, inclusive restaurantes, as ruas da Liberdade são o point. A partir dos anos 1970, vieram os Shoppings (a partir do Iguatemi, inaugurado em 1966).<br><br>Agora, para todo tipo de compras, entre o correto e o ilegal, o local preferido é a Rua 25 de Março. <br><br>Várias ruas da cidade de São Paulo têm sua marca registrada; como a Avenida Paulista, considerada a via do setor financeiro, que está sendo imitada pela Avenida Luiz Carlos Berrini, apelidada de Paulista em miniatura.<br><br>Agora, quase ao final da primeira década dos anos 2000, vem a novidade (reportagem do jornal O Estado de São Paulo, 26/07/2008) por meio da Associação Casarão Brasil, parte do Movimento Gay, presidido por um cidadão de nome Drummond, querendo transformar a Rua Frei Caneca (bairro Cerqueira César) em rua dos gays.<br><br>Ora isso para mim é um absurdo. Sem qualquer tipo de preconceito, mas dizendo que o preconceito vai existir devido à polêmica que vai rolar na sociedade, por meio do rádio, televisão, jornais e revistas. Caso isso venha a acontecer, na certa, muita gente deixará de andar na Rua Frei Caneca. Pois só pelo fato de alguém saber que um amigo lá esteve, será ele motivo de risos e chacotas.<br><br>Alega o presidente do movimento gay que não existe um espaço para andar de mãos dadas com seu companheiro, por puro preconceito machista. Pelo que ele diz, ou dá a entender, na Rua Frei Caneca, se ficar sendo ruas dos gays, somente quem possui essa “marca” vai andar nela. Os demais terão que andar pelas ruas paralelas?<br><br>Nunca vi em minha vida algum um homossexual ser impedido de andar nas ruas do centro, mesmo no tempo em que eu era jovem perambulando pelas ruas da cidade. Numa época em que o preconceito era maior. Gracinhas vão sempre existir, por quem não suporta esse tipo de pessoa. A Rua Frei Caneca é sempre lembrada pela maternidade São Paulo, onde nasciam meninas e meninos, e não somente futuros gays.<br><br>e-mail do autor: [email protected]