Memórias Artesanais

Sempre fui chegado às coisas artísticas. Teatro, música, pintura e artes manuais sempre fizeram minha cabeça.

Lembro-me que, quase no final dos anos 50, nós, os moleques, gostávamos de colecionar maços de cigarro vazios. Eu estava nessa onda: eram maços e maços de Elmo, Everest, Pullman, Lincoln, Continental com ou sem ponta, Aspásia, Columbia e tantas outras marcas que existiam.

Abríamos cuidadosamente o maço e, depois de desamassado, já na forma de uma cédula, acomodávamos todos nas algibeiras e depois os acondicionávamos, em casa, em caixas de sapato vazias.

Esta era uma coleção que, na verdade, não tinha nenhuma finalidade mais efetiva. Foi, então, que surgiu, não sei de onde nem de quem, a idéia de transformar tais maços em cintos, para presentear as meninas, professoras, mães e tias. Para tanto, os maços já abertos, eram dobrados e astuciosamente trançados até formar um cordão de maços, que se atavam para fazer o tal cinto. Depois, como aprimoramento, esses maços eram dobrados com o papel celofane que os envolvia no original e ficavam muito mais apresentáveis. Quantas meninas eu presenteei…

Nessa mesma época, surgiu no mercado um material plástico denominado Fio Tex. Era uma fita de plástico de mais ou menos dois centímetros de largura em cores sortidas. Como trabalho, essas fitas eram trançadas e tomavam formas especiais, transformando-se nos mais diversos apetrechos. Eram chaveiros, cintos, brincos, pulseiras, anéis e tal e coisa e lousa e mariposa. Como diria o cronista Alberto Helena.

Foi um tempo em que a criatividade e a originalidade eram levadas a sério, em detrimento à tecnologia, como atualmente. Foi muito bom vivenciar esse tempo e recordá-lo neste texto.

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