Corriam os anos da década de 40. Nos meses de junho, milhares de balões juninos passeavam nas alturas enquanto durava o "combustível".
Certa vez, aqueles que eram responsáveis por soltar os balões do General Couto de Magalhães FC, famosa agremiação do futebol varzeano da época da Vila Nova Conceição, decidiram fazer um balão maior do que os padrões. Construíram um tipo "mexerica", com 160 folhas de papel de seda. Ao soltar, penduraram uma garrafa de vinho e o balão subiu, subiu… Até desaparecer de nossos campos de vista.
No ano seguinte, entusiasmados com o êxito do ano anterior, fizeram um enorme "Zepelim", com nada menos do que seis bocas, com diâmetros próximos de uma roda de bicicleta, colocadas a cerca de 3 metros de distância entre uma e outra. Para confeccionar o balão, usaram papel Kraft ou similar e sob todas as emendas foram colados barbantes a fim de reforçar a estrutura. Depois de tudo pronto, foi divulgada a data para a realização dos procedimentos da soltura. Centenas de pessoas compareceram para ver.
Diversas estratégias foram arquitetadas com a finalidade de erguer o balão pelo menos a 1 metro do chão para colocação das tochas. Algumas escadas foram necessárias e uma equipe de colaboradores, previamente escolhidos, cada um com a sua função. Colocadas as tochas, finalmente chegou o momento que todos aguardavam: acendê-las.
Se não me engano, foi Tavinho o encarregado para executar essa tarefa (o mesmo Tavinho que no fim da década de 40, veio a falecer no acidente contado na história "FUTEBOL VARZEANO: DA ALEGRIA À TRAGÉDIA", publicada no site São Paulo Minha Cidade em 09-08-2010). Com uma pequena mecha acesa, Tavinho dirigiu-se a uma das extremidades do balão e começou acender as tochas. Acendeu a 1ª, passou para a 2ª, para a 3ª, para a 4ª, quando ia acender a 5ª, e sem que ninguém conseguisse segurar, o balão começou a subir obliquamente provocando o inevitável incêndio. Consternação geral. Trabalho construído com capricho por meses, destruído em segundos. Abatidos, os responsáveis por soltar os balões lembraram do prazer, da alegria e do sucesso do ano anterior e que desta vez acabou em branco, ou melhor, em fogo.
Fazer e soltar balões juninos, sempre foi grande fascinação de jovens, de adultos e, por que não, de idosos. Mas, com o decorrer do tempo e com o descomunal progresso das grandes cidades, os problemas com incêndios tornaram inviável esse procedimento. Aos ainda inúmeros aficionados por essa arte, recomendamos respeitarem as atuais proibições. Quem sabe um dia uma "invenção mágica" tornará possível soltar balões sem causar os problemas que os atuais causam? Assim, os dias de junho voltarão a ser coloridos e as noites voltarão a ser iluminadas!
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