Sentir-se estrangeiro na cosmopolita São Paulo não é algo incomum. Várias bancas de jornal estampam manchetes em diversos idiomas, algumas vitrines conferem à terra da garoa um ar de “big apple” e, na miscelânea do Bom Retiro, alguns letreiros parecem indecifráveis. Se aventurar na poesia paulista é sorver a diversidade e retratar uma identidade multifacetada, como a que descobri após esboçar algumas linhas em face da musa concreta paulistana.
Iracema globalizada
Sábado, píres, xícara, chá
Bazar, fulana, papel
Quitanda, limão, samba,
Amém.
Em trânsito
lá cruzes, cores, sabores
e… amores!
Aqui apenas um baú
chamado coração.
Um dia um vento soprou uma antiga canção em meus ouvidos, fechei os
olhos, abri o coração e saboreei uma deliciosa sensação que me
disseram chamar SAUDADE!
Arabescos
Diante de mim está o rei
e, pede-me para que complete o poema.
Mas como cantar o amor que une os povos e deseja apenas atingir sua
plenitude, se a areia que meus pés desejam pisar tingem-se de um
inocente carmim?
Meu rosto mais uma vez toca o chão, não sei se é para lá que devo
olhar, não!
Não olho, silencio e espero que venhas para completar nosso poema.
Dentro de mim tem um mar
um mar de gente
que canta em línguas diferentes
gente que dança ao som de instrumentos que não conheço, seus corpos
são coloridos, seus olhos brilhantes, estão todos em uma grande roda
com movimentos graciosos e acolhedores. Tudo é uma grande festa dentro
de mim!
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