Vamos juntos voltar aos anos Dourados

Não quero contar minha ou qualquer outra história mas, simplesmente, passear pelo tempo e irmos juntos falando de lugares, gírias da época, diversões, manias, acontecimentos marcantes, ou seja, vamos, cada um acrescentando sua pitada e assim chegaremos a ter um retrato mais completo da nossa São Paulo nos anos que foram realmente Dourados.

Quem lembra das seções de cinema a meia noite no cine Metro, no Ipiranga, Art Palácio, Marabá, e na saída comer na Salada Paulista e depois ir andando em grupo(todo mundo de gravata)até o ponto do bonde (o meu era para Vila Mariana na Praça João Mendes). Nenhum risco, nenhum problema, a turma atravessava o Viaduto do Chá, entrava pela Rua Direta, subia a Quintino e chegava à Praça.

O bonde era fundamental, sem ele seria difícil andar pela cidade e bairros. E havia vários modelos; o camarão fechado, o palhinha que fazia o circular, o aberto com reboque, o amarelão com reboque, fechado que ia para Santo Amaro, uma verdadeira viagem passando pelos sítios e chácaras de Indianópolis, Campo Belo, até chegar ao Largo do Socorro, ao lado do Rio Pinheiros. A turma de vários bairros ia pra lá porque no Rio Pinheiros, aos domingos, enchia de pescadores pegando caras, lambaris de palmo, piava, num rio de águas muito limpas.

Aliás, muita gente não sabe que no Ibirapuera existiam dois lagos. Onde hoje é a Assembléia era um lago muito fundo, cheio de peixes (ali eu aprendi a pescar). O Ibirapuera até 54 no Centenário, era um parque cheio de atrações nos fins de semana, o campo da Portuguesa, as pescarias, nadar no lago de cima (o que é o de hoje), namorar, andar de bicicleta etc. Porém à noite era escuro, tenebroso, cheio de histórias de perigo. Depois do Centenário, ficou lindo com atrações como o Planetário, barcos no lago, exposições, fieiras culturais, livros, pinturas.Passou a ser a grande opção de lazer da cidade.

Mas a cidade também tinha muitas outras diversões além de cinema e o parque. Tinha os bailes de formatura no Clube Hom, onde sem smoking não entrava, mas sem convite a gente dava uma volta no porteiro e lá dento a gente charlava algum garçom, dava uma bola pra ele e sentava todo mundo e ainda dava pra tomar algumas cubas.

Bailes bons eram os do Piratininga, do Professorado e na madrugada havia o Maravilhoso. No carnaval o melhor e mais cheio de broto e também das primas era o Baile do Aracam, no aeroporto. Os bailes dos clubes da alta sociedade, Pinheiros Paulistano, eram ótimos, mas eu preferia os da pesada. Muito bem, cheguei até este ponto inicial e vamos ver quem vem junto, acrescentando outras dicas.

Vou acompanhar, até logo!

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