Pescaria fracassada

O verão se foi.

São Paulo amanheceu sob uma tênue garoa e um friozinho típico de início de outono.

É sábado, aproveito para ficar deitado até mais tarde debaixo de cobertas aconchegantes que não permitem o frio penetrar.

Como é gostoso na cama ficar e nada pensar, apenas deixar o tempo passar…

De repente, quebrando a quietude, toca o telefone; uma vozinha infantil; meu netinho:

– Vô, você já acordou? Agora sim! Vamos pescar?

– Luquinhas, mas com esse tempo, e onde?

– Ah, Vô, lá no pesqueiro do Japonês na estrada de Itapecerica, onde já fomos e lá tem aquela cabaninha (quiosque) para ficar e a gente não se molha e eu tenho capa e bota e meu pai deixa ir, mas só se a Vó também for e para ela não preciso nem pedir que ela vai.

E agora? Como dizer não?

E lá fomos, de caniço e samburá, como diz uma canção. Lá chegando, pesqueiro vazio, no máximo meia dúzia de "gatos pingados".

Se durou uma hora, foi muito. Eis a vozinha "imperial" de novo:

– Vô, quero ir embora, não "tá" dando nada! Não falou duas vezes…

Novamente, novo pedido, quando já estávamos começando a volta para casa:

– Vô, passa lá no Carrefour e vamos comprar um peixe grandão, como você fez daquela vez que só viemos nós, para meu pai ver e pensar que eu pesquei…

– Ah, é, conta tudo – pediu a Vó coruja, pois ele sempre disse que tudo que trazia foi ele que pescou.

– Hiiii Vô, esqueci que não era para contar…

Resumo: Além de levantar cedo, me molhar, me desmascaram e fico marcado como pescador fajuto e mentiroso.

Celular tocando: meu filho para a mãe:

– Oh, que bom que vocês já estão voltando, então vamos esperá-los para irmos comer uma feijoada e o Roberto Roschel e Fabiane (amigos) também irão.

Para finalizar, como se castigo fosse, além de ficar com má fama sobrou para mim: pagar o almoço para todos.

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