Ainda em idade pré-escolar saímos da pequena cidade de Pongaí para morar na capital paulista. Nosso Pai adquiriu um empório que ficava praticamente na divisa do Brooklin com Santo Amaro, na outrora chamada Parada Petrópolis, em frente ao Clube Banespa.
As amizades infantis da fazenda para trás ficaram e aqui iniciamos novas e que com o tempo, foram ficando marcantes e caracterizando cada tipo.
“Tutico”- Corruptela de Francisco. Considerado meio avoado por andar na roda-gigante segurando-se pelas laterais. Seu pai era o dono de um parque de diversões.
“Hermann” – O chamávamos de Germano, era austríaco e mal falava português. Morria de medo de batedores de carteira e quando andava de ônibus ou bonde ficava segurando a carteira no bolso.
“Joaquim” – Era o mais destemido da turma. Considerado um "doido" aprontava que só ele. Chegou a pegar "emprestado" um cavalo do portuga
“J. Luiz” – Era considerado o "aprontão" da turma. Morava no Belenzinho e todos os finais de semana estava conosco. Passava trote nos próprios familiares.
“Candinho” – Era o mais velho de todos e considerado "esperto". Tinha uma “lambreta”, com se dizia na época. Era gozador e "murrinha".
“Maudinho de Pongaí” – Era, após o Candinho, o mais veterano. Andava sempre com um canivete, que dizia que era para se defender.
“Irmãos Ramos”- Eram cinco irmãos, sendo o mais velho o contador de histórias fantásticas, que para nós eram todas mentirosas, mas ele jurava que eram verdadeiras.
“Rivellinos”- Abílio e Roberto, só falavam de bola e ficavam o dia inteiro no campinho jogando.
“Joel”- Empregado do empório, à noite não deixávamos dormir e passávamos graxa de sapato na cara dele para deixá-lo irritado.
“Abel Português”- Outro empregado que ficou mais rico que meu pai. Colocava $5 no caixa e $10 no bolso, montou uma padaria em Santo Amaro.
“Juarez de Lima”- Era sapateiro e se tornou um ótimo lutador de boxe profissional. Quando a “chapa esquentava” com a turma da rua da outra rua apelávamos para ele.
“Velho do cachorro”- Tinha um cão pastor, quando saía na rua e a molecada chamava o cachorro de vira-lata ele o soltava. Não ficava um único garoto na rua.
“Nicolau Barbeiro” – Ele cortava os nossos cabelos e depois saiamos correndo para não pagar, pensávamos que éramos espertos. Mas nossos pais sempre o pagavam depois. Posteriormente se tornou o dono da empresa de ônibus "Turismo Nicolau".
“Velha Manca” – Bastava à turminha passar diante da casa dela que eram xingados, mesmo sem ter feito nada.
“Pedrosa” – Irmão do dirigente de futebol Roberto Gomes Pedrosa, comprava os "preás" que meu irmão caçava só para agradar ao meu pai, para comprar fiado e pagar quando podia.
“Dona Cândida” – Costumava nos culpar (eu e meu irmão) por tudo o que acontecia. Um dia ela foi reclamar para minha mãe que meu irmão havia jogado uma pedra no seu telhado, mas na verdade estávamos em Pongaí aproveitando as férias.
“Doutor Ananias”- Médico da família fazia feijoada de lata (Bordon) e convidava os amigos dizendo que sua esposa é que tinha feito.
Outros “tipos” também foram marcantes na nossa infância, mas estes deixaram mais lembranças.
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