No domingo, 14 de agosto, tive uma experiência muito agradável. E não estou falando apenas do fato de ter sido Dia dos Pais quando eu, como progenitor e filho, me sinto uma pessoa abençoada. Foi um dia especial para mim, pois tive o privilégio de participar de um passeio ciclístico pelas ruas do centro velho da capital paulista.
Como sempre tudo começou enquanto ouvia as notícias no rádio. Num intervalo ouvi um anúncio da Brazil Sports Show, a maior feira
esportiva do país. Este evento aconteceu entre os dias 11 e 14 de agosto no
Ibirapuera e trazia as novidades do mundo dos esportes, além de muitas
atividades para o público.
Entre as atividades promovidas pela feira estava o Circuito Pedalar 2011, um grande encontro de amantes das magrelas, que percorreriam juntos 10 km pelas ruas do centro de São Paulo. Óbvio que não perdi tempo. Entrei no site e fiz a minha inscrição depressa.
O problema é que estou sem bike. Encontrei a solução com meu irmão mais novo: atleta, preparador físico e dono de uma bicicleta sensacional. Liguei para ele, falei do que se tratava e prontamente o meu problema foi resolvido.
Quando falei para minha esposa Marisa e minha filha Letícia, naturalmente, esperava uma repreensão. As duas não queriam que eu fosse, pois temiam acontecer alguma coisa comigo, já que o trânsito de São Paulo é caótico e o ciclista é sempre quem leva a pior. Mas eu as tranquilizei dizendo que as ruas seriam fechadas para os carros, teríamos acompanhamento e orientação dos marronzinhos e a segurança seria total.
Bom, bicicleta emprestada, minhas meninas mais calmas, agora era só esperar o dia de retirar o kit de participação. Na sexta feira fui retirar o kit lá mesmo na Bienal do Ibirapuera, onde rolava a Brazil Sports Show. O kit
também dava direito a conhecer a feira e ver as novidades. Coisas sensacionais como tênis apropriados para corridas, equipamento de Mergulho, test drive de camionetes Off Road e espaços interativos. Joguei muito pebolim, pois é um jogo que adoro. Muito bem agora era esperar pelo passeio no domingo.
E chegou o dia. Acordei super cedo, peguei todo o equipamento: capacete, bicicleta, um Gatorade, óculos, relógio, coloquei um tênis confortável e me pus a caminho. Poderia ter ido pedalando até o centro, mas como tinha receio de chegar atrasado, fui de metrô. Já no caminho encontrei outros ciclistas que também iriam participar. Vagões do metrô cheios de bikes e eu achando a minha turma sensacional.
A largada seria no Vale do Anhangabaú e imaginem um mar de ciclistas se preparando. O Vale virou um grande point de bikes com pessoas de todas as idades. Famílias inteiras e equipes de ciclistas. Muita gente mesmo. Mas isso é que foi legal. Pois estávamos todos ali para engrossarmos o filão dos que querem uma cidade menos poluída e com um trânsito mais humano.
Tirei muitas fotos da galera e pedi para uns amigos que fiz na hora para fazer fotos minhas. No palco montado no meio do Anhangabaú um apresentador incentivava a galera com gritos de entusiasmo e anunciou um preparador físico para aquecer a massa. Foi hilário, pois tinha muita gente fora do ritmo, inclusive eu, mas o que vale é a animação. Aquecimento feito vamos à largada.
Saímos às 8 horas em ponto e seguimos pela Rua Líbero Badaró, cruzamos a Praça Patriarca e entramos no Largo São Francisco. Seguimos até a Sé, passamos ao lado da Catedral e entramos na João Mendes. Em seguida entramos à esquerda na Rangel Pestana e paramos para agrupar a massa.
Mas como tem sempre alguma coisa que acontece comigo meu pedal esquerdo caiu e tive que parar. Droga. Será que é fim de passeio? A galera prosseguiu e alguns pararam para perguntar o que tinha acontecido. Falaram-me para voltar à concentração, pois havia uma equipe técnica de
apoio e manutenção. Foi o que fiz, não iria desistir facilmente.
Chegando ao Vale mostrei o pedal caído e me indicaram a equipe de apoio. Os caras foram muita gente boa, mas me falaram que a rosca do pedal estava espanada e não daria aperto. Para não perder o resto do passeio fizeram uma gambiarra que deu para pedalar. Perguntei para uma moça da organização onde estavam os ciclistas que me falou que já deveriam estar na Ipiranga. Subi correndo até a Rua 24 de Maio e pedalei como louco. Lá na frente avistei a galera. Juntei-me a eles e aí foi só curtir o final do passeio.
Contornamos a Praça da República, entramos na Avenida São Luiz, à esquerda na Rua Xavier de Toledo, ao lado do Teatro Municipal para retornar ao Vale.
No final do passeio, ganhamos medalhas de participação, água para hidratar e concorremos á mochilas de uma famosa marca de bicicletas. Não ganhei nenhum, mas o importante é que o passeio foi memorável. Acho que dei uma pequena parcela de contribuição à cidade visando um ar menos poluído e a conscientização de que bikes e carros podem conviver pacificamente. Agora mal posso esperar por outro passeio, pois fiquei viciado nas pedaladas. Na próxima vez vou levar a família e não adianta nem mesmo discutirem comigo.
E-mail: [email protected]