O primeiro amor

”Une dune tê” o escolhido foi você. Uma brincadeira de criança, mas que já demonstrava um leve desejo por aquele que até a pouco era apenas um companheiro de algazarras e brincadeiras em grupo. Um amigo, aliás, um grande amigo, pois com ele podia contar para qualquer que fosse o problema. Nas brincadeiras quando tinha que escolher grupos ou pares um sempre escolhia o outro na certeza de que juntos ganharíamos a partida ou qualquer outra armação.<br><br>Quando saíamos em turma, sempre, de alguma forma estávamos próximos, fosse no banco do ônibus, no cinema, na lanchonete ou até mesmo nos bailinhos de garagem. Corria os anos de 1968/1969 no bairro de Santo Amaro. Lembro-me de uma gostosa noite de verão quando, após voltarmos de uma dessas festinhas de sábado, sentamos, o grupo todo, no meio fio da calçada, em frente a minha casa e conversamos por um longo tempo. O papo fluía, os risos eram abafados devido o adiantado da hora. <br><br>Pouco a pouco cada um da turma foi se despedindo até que restou apenas nós dois. Breve silêncio e pela primeira vez me senti constrangida estando próxima de meu amigo e creio que era recíproco. Não conseguíamos encontrar assunto e a despedida foi breve, apenas com uma curta palavra "tchau".<br><br>Antes mesmo de fechar a porta de minha casa, já sentia meu coração descompassado, minhas mãos geladas e a cabeça um tanto zonza. Precisava de um copo de água, pois de repente a garganta secara.<br><br>Os dias passaram, mas algo havia mudado, como um divisor de tempo. Em uma linda noite estrelada de verão descobri que meu melhor amigo passou a ser meu primeiro amor.<br><br><br>[email protected]