O pequeno viking II

Foi na Vila Clementino que aquele menino viveu. Foi lá na pequena e humilde casa da sua avó que ele sentiu frio e fome e aprendeu que o homem precisa lutar na vida para obter aquilo que é sua necessidade ou sonho.

O quintal daquela pequenina casa era grande, logo na entrada havia um pé de uvaia, fruta silvestre de delicioso sabor e de um odor adocicado que atraía um número infinito de lindos pássaros que, enquanto o saboreavam, parece que agradeciam executando um gorjeio sem par.

O jardim, que era simples, ficava lindo quando chegava a estação das flores e os canteiros se enchiam de violetas, margaridas e rosas, fazendo os olhinhos azuis da vovó brilharem de felicidade.

O coqueiro, que ladeava a entrada, trazia colado ao seu tronco um cacho de coquinhos amarelos, parecendo que para dar charme àquele pequeno palácio, morada da felicidade.

Pelo quintal, sob as árvores de cambucís, caquis, amoras, abacates, ingás e jatobás corriam as galinhas com seus pintinhos e as patas com seus patinhos. Parecia estarmos vivendo dentro de uma deliciosa chácara.

Aliás, a São Paulo daquela época era um pouco mais do que uma vila cercada de fazendas e chácaras, não havia calçamento nem iluminação nas ruas.

No lado direito da nossa casa, a vizinha era a Escola São Francisco de Assis, dirigida pelas freiras da congregação do mesmo nome, onde o nosso pequeno viking, ao atingir a idade escolar, foi estudar.

É digno de nota que a avó do menino era evangélica e ela mantinha um relacionamento de amizade com as freiras muito estreito, sem jamais tocarem no assunto de religião.

A cinquenta metros da escola localiza-se Igreja, também de São Francisco e os freis Honório e Felisberto, ambos entendidos em homeopatia, também nunca falaram de religião em nossa casa quando entravam para tomar café e bater papo.

Puxa vida! Como eu era feliz.

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