Por volta de 1935, meu pai morava com meus nonos, na Rua João Antonio de Oliveira, no bairro da Mooca.
Todo o final de tarde, ele, depois do banho, ficava sentado no degrau da porta de casa.
Meu pai era o terceiro dos cinco filhos, na época tinha por volta de seis a sete anos de idade.
O corte de cabelo de meu pai era na altura dos ombros. Imagine, um moleque de olhos azuis e cabelos loiros cacheados e compridos, com uma blusa bem comprida que cobria o calção.
Era quase que um ritual, todo final de tarde lá estava ele, sentadinho no degrau da porta.
Numa dessas tardes, minha nona foi chamá-lo para jantar e qual a surpresa!!! Cadê o moleque?
O moleque havia sumido, procura daqui, procura dali e nada do garotinho louro de cabelos cacheados e olhos azuis.
Já fazia mais de quinze dias do desaparecimento e nada, até que o meu nono encontrou com um amigo viajante, e contando-lhe o acontecimento ele falou:
– Giordano, eu estava lá pras bandas de Casa Branca e havia um acampamento cigano por lá, e eu achei engraçado, pois tinha um molequinho com eles muito parecido com o seu…
Lá vai meu nono para Casa Branca, atrás do meu pai.
Qual foi a alegria, lá estava o Chiquinho, claro que de cabelos cortados feito homenzinho. Bem, como meu nono era da polícia, não foi difícil trazer meu pai de volta.
Mas sabem por que eles tinham roubado o meu pai? Roubaram porque acharam que ele fosse uma menina, também cabelo comprido cacheado, olhos azuis e uma blusa que mais parecia um vestido..
E pai, esta é uma partezinha de sua vida, amanhã eu lembro de outra.
Para sempre vou te amar…
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