João é o nome dele.
Veio de Alagoas, deve estar com uns vinte e poucos anos. Simpático, sério, mas comunicativo.
Vejo-o quase diariamente, há três anos. Folga somente aos domingos. Sua labuta começa às sete horas e termina às dezoito horas.
Quando aqui em São Paulo chegou, sem qualificação profissional, foi ajudar um parente que estava fazendo um "servicinho" aqui no bairro, na residência de uma moradora. A mesma se simpatizou com ele e pediu-lhe:
– Assim que der, não quer levar o meu cachorro para dar um passeio, pois ele precisa se exercitar, conforme recomendação do veterinário, e depois lhe dou uma "caixinha"?
Nascia aí uma nova profissão: "passeador de cachorros".
Cachorro é o que não falta aqui no bairro. Os moradores simpatizaram-se com o João e o foram contratando para fazer o mesmo com os cachorros deles.
Hoje ele já tem um ajudante e cada qual, às vezes, passeia com vários cachorros ao mesmo tempo, e por incrível que pareça, eles (cachorros) não brigam entre si. Parece que se dão bem, apesar de raças e tamanhos diferentes.
Meu filho, que na rua de cima mora, também o contratou e, por coincidência, quando em um sábado ele foi lá para pegar o "Dogui", um boxer, lá estava e fiquei conversando com ele enquanto minha nora foi buscar um copo de água, e perguntei:
– E aí, João, tudo bem? Está contente, "vivendo às custas de cachorros”? – brinquei. Ele apenas sorriu…
Não quer outra atividade e parece bem feliz e disse que tudo que está conseguindo na vida deve e agradece a esta abençoada terra Paulista.
Narrei apenas para falar que São Paulo cria e oferece oportunidade a todos que queiram trabalhar dignamente.
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