Texto de Rosina Revolta Gonçalves (CEDOM 1967 a 1973) e Walter Gonçalves Junior (CEDOM 1966 a 1973).
Somos de uma turma e de um tempo em que era possível sentir e ostentar grande satisfação por estudar numa escola pública!
O "melhor colégio do mundo", brincamos até hoje com nossos filhos quando passamos no quarteirão entre a Voluntários da Pátria e a Doutor Zuquim, no Alto de Santana.
Para quem não sabe, fica ali o "glorioso CEDOM", de vagas disputadíssimas lá pelos anos 60, meados de 70!
Foi onde nos conhecemos, ainda no ginásio, e fizemos muitos dos amigos que conservamos orgulhosamente, mantendo a turma com reencontros que vão escrevendo nossas vidas!
O Colégio Estadual virou Instituto de Educação, depois Escola Estadual de Segundo Grau, sempre homenageando o Doutor Octávio Mendes, cuja biografia sabíamos de cor! As várias mudanças no ensino público conseguiram deteriorar sua qualidade, mas de nome o CEDOM continuou sendo "O CEDOM" nas referências de todos os que passaram por ele.
Até para os padrões atuais das boas escolas particulares, o CEDOM era o colégio completo: piscina, quadras esportivas e vestiários, teatro, sala de projeção, laboratórios, biblioteca bem montada, consultório odontológico e cantina, e uma equipe de professores e funcionários que deixaram marcas, de saudade e competência!
O CEDOM tinha até o pipoqueiro do portão, e o boteco na portinha ao lado… Naquela época o pipoqueiro não era "o famigerado", não oferecia nenhuma ameaça aos nossos bons hábitos, e nenhum risco de vícios ilícitos, além dos seus doces, guloseimas e… pipocas!
O Careca, como chamávamos o simpático senhor de lustrosa cabeça, estacionava diariamente seu carrinho pintado de azul na entrada da Doutor Zuquim, nos vendia suas tentações a bons preços, e fazia fiado se precisássemos!
Concorrendo com o Careca, com os lanches domésticos e os da cantina, a menos de dez metros do ponto do carrinho havia o Bar do Zé, que oferecia alimentos mais, digamos, consistentes.
Era onde podíamos comer um incrível bolinho de batatas recheado com carne moída, frito quase na hora, cuja lembrança é suficiente para provocar água na boca.
Nem o pipoqueiro nem o boteco atrapalhavam, então, a educação pretendida por nossos pais e educadores.
Saudades!
De quando íamos ao colégio e voltávamos para casa a pé ou de ônibus, com segurança e autonomia desde os dez, onze anos de idade.
Transgressão, quando muito, era matar aula para passear com a turma pelo bairro, no "Circular Santana", enrolar e desenrolar a cintura da saia para driblar o comprimento exigido, ou provocar sustos nas meninas com bichos de borracha!
O CEDOM tem histórias e fez história em São Paulo: entre campeonatos esportivos, festivais de música e espetáculos teatrais muito bem montados e organizados, num ambiente de bastante integração entre estudantes, suas famílias e a comunidade do bairro, teve até invasão do temível CCC contra um Centro Acadêmico ingênuo, mas atuante!
Convite: tem alguém disposto a recuperar o colégio e sua memória?
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