O governador no Glória

Era o ano de 1970. Tínhamos formado a associação do bairro para conseguir melhorias para o mesmo. Morávamos no alto de Vila Pompéia, mais precisamente no Campo da Escolástica, em torno do Córrego Água Preta. Esse córrego interrompia as ruas que subiam da Vila Pompéia em direção do Sumarezinho e Vila Madalena. Além das voltas que os moradores tinham que fazer, o riacho já ia se tornando esgoto a céu aberto. Foi no governo Laudo Natel. Este costumava receber os integrantes das Sociedades Amigos de Bairro para saber de suas reivindicações. Estávamos na sala de audiências do Palácio dos Bandeirantes. Eu, como representante da entidade, levei meu filho de onze anos para conhecer o palácio e as autoridades. Este estudava no colégio Nossa Senhora da Glória, no Cambuci. O ano letivo estava em seu final e a maioria dos alunos já não freqüentavam as aulas. A direção do colégio havia criado um programa com uma série de palestras de profissionais das mais variadas áreas para orientação dos jovens quanto seu futuro.
Bem, voltemos ao Palácio dos Bandeirantes. Como íamos ter contato com o Governador, sugeri ao meu filho que convidasse o Governador para dar uma palestra na escola. Fez esse convite por escrito e o entregou à Autoridade (tenho fotografia desse ato). Gentilmente o governador recebeu o convite, não dizendo se iria ou não. Como disse anteriormente, praticamente não havia quase ninguém na escola. Uma bela manhã o governador passando pelas imediações lembrou-se do convite e resolveu parar. Escoltado por batedores, estaciona em frente à escola. Meu filho não havia falado com ninguém do convite. Ele mesmo não estava mais freqüentando as aulas. Quando os membros da diretoria se deram conta de que se tratava do Governador, foi aquela correria. Os detalhes não sei dizer, pois não estava presente. O resultado desse episódio foi que recebemos várias visitas de pessoas pedindo nossa interferência junto ao Governador, uma vez que tínhamos tamanho prestígio junto a ele.

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