Os professores

Os professores perderam a referência atualmente. Sou do tempo em que ser professor era ser respeitado, bem quisto e sempre um confidente dos pais, com respeito à conduta dos filhos na escola. Visitas eram feitas em residências, não com a finalidade de se falar sobre o que acontecia na escola, mas porque havia uma amizade entre pais e mestres.<br>Professor era o segundo pai, e a professora a segunda mãe de qualquer criança que estava na escola. Ela era chamada de senhora e ele de senhor. Respeito, carinho e amor aos professores não eram somente no dia 15 de outubro quando se comemora o dia dos mestres. Era o ano inteiro.<br>Para se ter uma idéia do que era um professor e uma professora, ambos eram considerados bons partidos para um casamento. Os professores(as) ganhavam bem. Eram professores bem alfabetizados. Até mesmo as substitutas tinham valor idêntico aos titulares. Tínhamos aulas de leitura, coisa de que não tenho ciência há muito tempo. E que paciência tinha uma professora a ter ao lado de sua mesa um aluno lendo e ela com atenção ao texto para dar a nota.<br>Tínhamos boletim. Todo mês lá ia o boletim para os pais verem e assinarem comprovando ter visto.<br>Se havia substitutas(os) era porque os governos de nossa infância não queriam solução de continuidade para os alunos, em casos de real necessidade de falta de algum professor ou professora, por motivo de doença ou outro tipo de afastamento.<br>É bem verdade que havia muita rigidez, mesmo porque com toda severidade de educação que tínhamos, sempre peraltices aconteciam na escola. Reguadas, tapas e gritos eram normais naquele tempo. Refiro-me aos anos 1940 e 50. Infelizmente tudo mudou. Hoje em dia os professores não são tão alfabetizados como antes, temos leigos dando aula por falta de reposição de professores que se aposentam, ou se afastam por problemas outros. Os salários que são baixíssimos, o que desestimula a continuidade de lecionar.<br>Há falta de respeito de alunos e pais, que não aceitam reprimendas ou avisos de que os filhos não vão bem na escola. Muitas mães vão à escola para chamar professoras de vagabundas, ou alunos que até armados vão à aula, como foi o caso de um aluno de uma escola da zona leste.<br>Sentado bem no meio da sala de aula, tirou um revólver da mochila e começou a manuseá-lo para a curiosidade de todos, que saíram de suas carteiras. O aluno era burro nas aulas de ciências, matemática e história, mas de armas entendia tudo. Era um expert nos ensinamentos de como limpar ou manusear um “trintaeiotão”.<br>No bairro onde moro tem uma escola que tem o nome de uma ex-professora: Zenaide.<br>O slogan da escola é Zenaide, Zenaidão, onde o aluno entra burro e sai ladrão.<br>Que belo momento vive hoje, não?<br><br>e-mail do autor: [email protected]