O farmacêutico

Antigamente, os profissionais dos bairros eram únicos, não havia concorrência e sequer um em cada esquina.

Assim como o sapateiro, havia o farmacêutico – Toninho – nissei na casa dos 30 anos. Era o "médico de plantão" e atendia com presteza e muita sabedoria todos os "pacientes" que por lá chegavam.

Sua farmácia ficava na Avenida Cangaíba, entre os supermercados Malena e Skaff.

Acredito que eu tenha sido sua "paciente" desde o nascimento até meus 17 anos.

Era só chegar lá, dizer o que estava sentindo e o diagnóstico estava feito!

De repente, podia ser caso de uma injeção imediata ou simples medicação via oral pelos dias necessários. Ele solicitava retorno, caso a medicação não tivesse o efeito desejado.

Lembro que, por várias vezes, ele "consertou" medicação dada por médicos do Posto de Saúde, que apresentaram efeito colateral.

Minha mãe certa vez recebeu uma prescrição no posto e o comprimido provocou uma reação alérgica… Ficou toda "empipocada". Foi até o Toninho, que receitou um antialérgico e trocou a medicação anterior por outra. Ficou livre do mal e da alergia.

Eu, numa outra vez, fui ao posto reclamando de dores musculares. Dada a medicação comecei a tomar e, depois do primeiro dia veio a diarréia. Novamente o Toninho "consertou" a medicação. Foram-se as dores e a diarréia.

Muitas vezes hesitávamos em ir ao médico e íamos primeiro no Toninho, já que este parecia que conhecia melhor os medicamentos do que o médico, apesar do médico, já à época, ser pessoa de idade e com muitos anos de clínica, na Penha e Cangaíba.

Mesmo hoje, com a cautela de não praticar a automedicação, ainda continuo acreditando mais no profissional de farmácia do que nos médicos, pois já tive esta experiência há pouco tempo: a medicação que a médica de um hospital receitou, mesmo depois de uma semana, não fez efeito algum. Fui à farmácia e os remédios indicados já se mostraram eficazes na primeira noite.

Fazer o quê, se eles acertam mais que os médicos???