O enorme leão do parque D. Pedro

Por inúmeras vezes meu pai, de domingo, me pegava pela mão e me levava com ele até o Mercadão… Lugar mágico! Era minha alegria… Quando lá chegávamos, os amigos do meu pai vinham dando risadas altas e batendo nas costas dele com uma infinita felicidade!
O que eu mais gostava era das frutas que eu ganhava. Um por vez vinha me trazer uma fruta deliciosa… Mas o que mais eu gostava era das bananas… Docinhas e amarelinhas. Aquele momento era mágico!
Na volta já cansados de tanto tagarelar atravessávamos o Jardim do Palácio das Indústrias e consequentemente atravessando a rua rumo à Rua Maria Domitila, dávamos de cara com um imenso monumento… Um leão, lá em cima, todo imponente mostrava sua majestade. Meu pai me colocava em cima, aos pés do Leão e eu me sentia importante… Estava muito alta bem pertinho do rosto do meu pai… Aí ele me abraçava, me beijava e me colocava no chão… Lá íamos nós rumo à nossa casa enfrentar a braveza de minha mãe com o atraso para o almoço de domingo.
Um certo dia, já casada e com filhos fui encontrar o meu leão em um cantinho escondido no Parque do Ibirapuera… Ah! O meu leão! Estava tão baixinho… Afundado no chão… E eu olhando-o de cima percebi que o sonho tinha passado e que a realidade era cruel!
Hoje me pergunto: porque aquele leão fazia parte do Parque Dom Pedro em tão alto pedestal? O que fizeram com ele?

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